Lucchesi denuncia o "republicídio" em curso no Brasil
- 20 de mai. de 2021
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Em debate online promovido nesta quinta-feira, 20, pelo Núcleo de Estudos Avançados do Instituto Oswaldo Cruz, que reuniu médicos como Dráuzio Varella e Pedro Hallal, e lideranças empresariais como Luiza Trajano, entre outros, o presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, denunciou a existência de um "republicídio" em curso no Brasil.
Falando em nome próprio - "fala aqui apenas o professor da UFRJ" - e expressando indignação, Lucchesi cunhou o neologismo como forma de expressar uma crise civilizarória no país, com ameça concreta à democracia e às conquistas do povo brasileiro. Para ele, a ameaça política é comparável à própria pandemia de coronavírus.
"Nós não estávamos preparados não é para a covid. Não estávamos preparados é para uma espécie de republicídio. Essa é uma questão mais grave porque é um bombardeio em todas as partes que representam uma conquista do Ocidente no viés brasileiro. Aqui nós optamos por um republicídio", afirmou o presidente da ABL.
Sem citar nomes, Lucchesi nivelou as lideranças que orbitam em torno do atual governo e seus representantes em Brasília a um plano raso de despreparo e inépcia:
"Nós estamos numa guerra plural e conseguimos dramaticamente, num gesto milagroso, escolher os piores, os menos capazes, dentro de uma perspectiva que vai do amadorismo mais absoluto, mais constitutivo de um não entendimento do que significa a República, o Estado, a conquista democrática."
"Hoje eu vi na CPI", prossegiu o escritor, fazendo referência à sessão de depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello no Senado, "pessoas defendendo o indefensável. Há um limite para formar consenso e formar aliança. Esse limite já está colocado desde Aristóteles, terceiro século antes de Cristo, só para ficar nas grandes conquistas ocidentais. Nós chegamos a um ponto absolutamente dramático, em que temos uma equipe quase que absolutamente dos piores. E ainda com consequência gravíssima, piorando as instituições do pertencimento, diminuindo-as como que diminuindo o tamanho do país."
Lucchesi criticou com veemência o envolvimento de líderes religiosos fundamentalistas com o ataul governo:
"Nós optamos por uma república teocrática. Isso é vergonhoso. Hoje pediram que fosse na CPI um líder religioso cristão, que prega metralhadora, que prega castigos tremendos, outro líder que diz que é melhor que as pessoas se contaminem na prisão como uma solução final. É impensável isso! O grau de ignorância e desonestidade é enorme. Eu vejo uma perspectiva cristã-conservadora que não é sequer digna dos seus próprios fundamentos. É um cristianismo que faz corar, enrubescer os ensinamentos mais proféticos, numa perspectiva ampla da palavra."
A íntegra do debate e das declarações de Marco Lucchesi pode ser vista em https://www.youtube.com/watch?v=mDxVSJodGvY.








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