Lula a Ursula: acordo é bom para o Brasil, o Mercosul e a Europa
- Da Redação

- há 3 dias
- 4 min de leitura

A implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia terá como horizonte a redução de desigualdades e a prosperidade dos povos. Essa foi a expectativa compartilhada nesta sexta-feira (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro.
Os dois se reuniram na sede do Ministério das Relações Exteriores na capital fluminense para tratar do acordo entre os blocos, que criará uma das maiores áreas de comércio do mundo, onde vivem aproximadamente 720 milhões de pessoas. A aprovação do acordo por parte da União Europeia foi anunciada na semana passada, após mais de 25 anos de negociações. O tratado será oficializado neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai.
Lula afirmou que o acordo é positivo para o Brasil, para os dois blocos e para o fortalecimento do multilateralismo, ao estabelecer compromissos econômicos, sociais e ambientais entre as partes.
O presidente destacou que “liberalização e abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, disse ele, ao lembrar que comércio e investimento resultam em novos empregos e oportunidades.
“Diálogo político e cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, disse Lula.
O presidente brasileiro reiterou também compromissos com meio ambiente, no enfrentamento à mudança do clima, com a igualdade de gênero e com os direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores.
Valor agregado
Lula acrescentou que, diferentemente do passado, o Brasil não se restringirá ao fornecimento de commodities – em especial, produtos agropecuários – para a União Europeia.
“Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, disse ele, que destacou que o acordo prevê incentivos para investimentos de empresas europeias no Mercosul, o que inclui cadeias de valor estratégicas para transição energética e transmissão digital.
“O melhor está por vir”
Chefe do poder executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen disse que todos integrantes dos blocos deverão se beneficiar com novos empregos, e que surgirão muitas oportunidades para o setor empresarial dos dois lados.
“Sei que, entre nossas regiões e nossos povos, o melhor ainda está por vir”, disse ela ao iniciar o discurso.
“É assim que a gente cria a prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de zero a zero”, argumentou.
Ursula disse que a assinatura do acordo, que será oficializada neste sábado, no Paraguai, é apenas o primeiro passo de algo muito positivo que está por vir.
“Toda história só será contada com êxito quando as empresas começarem a sentir os benefícios de nosso acordo. Algo que deve ocorrer rapidamente”, disse.
Ela afirmou que o acordo vai multiplicar oportunidades, com regras claras e previsíveis; e com padrões e cadeias de abastecimentos que, segundo ela, “servirão de rodovias para o investimento”.
Agradecimento e elogios
“Este acordo agora concluído é a conquista de uma geração inteira”, acrescentou a chefe europeia em meio a agradecimentos ao empenho de Lula para a consolidação do acordo.
“A liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses, meu caro presidente Lula, foram realmente enormes”, acrescentou ao elogiar o direcionamento do presidente brasileiro durante as negociações.
Íntegra da declaração do presidente Lula
"Restaurar a parceria com a União Europeia em novas bases foi uma prioridade desde o início de meu terceiro mandato. Quando determinei a retomada das negociações do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil.
Foram mais de 25 anos de negociações. Amanhã, em Assunção, a União Europeia e o Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de mais de 22 trilhões de dólares.
Esta é uma parceria baseada no multilateralismo. Reafirmamos nosso pleno respeito a todos os pactos internacionais que assumimos nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio. Contemplamos compromissos com o meio ambiente e o enfrentamento à mudança do clima, com os direitos dos povos indígenas, com os direitos dos trabalhadores e com a igualdade de gênero.
A liberalização e a abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades. Estamos ampliando oportunidades comerciais e de investimentos sem comprometer o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar. Mais comércio e mais investimentos significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico.
Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado. O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos. Nossa parceria vai contemplar cadeias de valor estratégicas para a transição energética e para a transição digital.
Este Acordo de Parceria vai além da dimensão econômica. A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e a defesa do meio ambiente.
Em meu terceiro mandato, o Mercosul concluiu três importantes acordos comerciais: com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio e com Cingapura. Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China. Essa também será a tônica de minha visita ao Panamá no final deste mês para participar do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe.
O acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático e para o multilateralismo. Muito obrigado."










Comentários