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Lula: Bolsonaro humilhou Forças Armadas e deve desculpas

  • 10 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Lula se emociona ao falar da volta da fome no país: 'Jamais esperava que voltasse' (Foto: Alessandro Dantas)

Em discurso nesta quinta-feira (10) no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o papel dado às Forças Armadas para fiscalizar as urnas eletrônicas foi "deplorável" e o resultado, "humilhante".


Segundo Lula, o presidente Jair Bolsonaro (PL), "tem a obrigação de pedir desculpas para sociedade e para Forças Armadas" por ter usado os militares nesse processo.


"Vocês estão vendo que ainda tem na frente de quartéis algumas pessoas inconformadas com o resultado eleitoral, por conta de toda denúncia, de todas as fake news, de todas as mentiras contadas sobre o processo eleitoral, de que as urnas eletrônicas não eram sérias. Eu me recordo do Saddam Hussein dizendo que tinha que enfrentar os Estados Unidos porque os Estados Unidos diziam que ele tinha armas químicas e ele não tinha coragem de dizer que não tinha. E ontem [9] aconteceu uma coisa humilhante, deplorável para as nossas Forças Armadas: um presidente da República, que é o chefe supremo das Forças Armadas, não tinha o direito de envolver as Forças Armadas a fazer uma comissão para investigar urnas eletrônicas, coisa que é da sociedade civil, dos partidos políticos e do Congresso Nacional […]. Eu não sei se o presidente está doente, mas ele tem a obrigação de vir à televisão e pedir desculpas para a sociedade brasileira e pedir desculpas às Forças Armadas", disse Lula a parlamentares em sua primeira presença em Brasília desde as eleições.


Lula ainda acrescentou que "as desculpas" de Bolsonaro também deveriam acontecer uma vez que deixou a corporação militar "que é uma instituição séria, uma garantia para o povo brasileiro contra possíveis inimigos externos, fosse humilhada, apresentando um relatório que não diz nada, nada, absolutamente nada daquilo que ele durante tanto tempo acusou".


Ao mesmo tempo, Lula enalteceu o que chamou de "coragem" do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, durante a campanha eleitoral. Moraes foi um dos principais alvos de ataques de Bolsonaro na tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro com acusações sem provas.


Por pressão de Bolsonaro, os militares montaram uma comissão para acompanhar e verificar o resultado das eleições. Após longo suspense, o Ministério da Defesa divulgou na quarta-feira (9) um relatório, no qual fica claro que não houve comprovação de qualquer fraude nas eleições e não sustenta nenhuma das acusações que Bolsonaro fez ao longo deste ano.


Uma ampla base aliada

Lula discursou para parlamentares, contando com a presença de deputados e senadores de partidos da coligação que o elegeu e de outras siglas.


O presidente eleito, que busca compor uma ampla base aliada no Congresso, deixou claro durante seu discurso que quer diálogo também com o centrão e prometeu não interferir nos processos de escolha dos novos presidentes do Congresso - em um aceno ao deputado Arthur Lira (PP-AL), que é aliado de Jair Bolsonaro e busca se reeleger presidente da Câmara.


Lula e Lira se encontraram quarta-feira (9) em Brasília pela primeira vez. No mesmo dia, ele também se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e com os onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente presidido por Rosa Weber.


Emoção e lágrimas com volta da fome no país

Lula se emocionou e não conteve as lágrimas ao falar a parlamentares sobre qual será o principal objetivo de seu governo.


“A prioridade zero, outra vez, é a mesma que eu disse em dezembro de 2002, não tem que mudar uma única palavra. Se, quando eu terminar este mandato, cada brasileiro estiver tomando café, almoçando e jantando, outra vez eu terei cumprido a missão da minha vida”, afirmou, chorando e sendo aplaudido.


Após se recuperar, Lula completou: “Desculpem, mas o fato é que eu jamais esperava que a fome voltasse nesse país. Jamais. E nós voltamos por isso. Porque este país é o terceiro produtor de alimentos do mundo, o maior produtor de proteína animal do mundo e pode garantir que cada cidadão possa comer”.

 
 
 

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