Lula chora e exalta reconquista da democracia ao ser diplomado
- 12 de dez. de 2022
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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), foram diplomados em sessão solene do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (12), em Brasília. Lula chorou durante o seu discurso e afirmou que "o povo brasileiro reconquistou o direito de viver em democracia". A diplomação demonstra a aptidão da chapa vencedora para a posse.
"Em primeiro lugar quero agradecer ao povo brasileiro pela honra de presidir pela terceira vez o Brasil. Em minha primeira diplomação, em 2002, lembrei ousadia do povo brasileiro em conceder para alguém tantas vezes questionado por não ter diploma universitário, um diploma…", começou a discursar Lula, não contendo o choro, e completou: "Esse diploma é do povo que reconquistou o direito de viver em democracia. Vocês ganharam esse diploma."
Antes de iniciar o discurso, Lula ficou emocionado com saudações da plateia, repetidas vezes, de "boa tarde, presidente Lula", numa referência à saudação que ele recebia diariamente de apoiadores no acampamento montado ao lado da Superintendência da Polícia Federal durante 580 dias em que esteve preso em Curitiba.
Sem citar diretamente o nome do presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que “poucas vezes na história recente” do país a democracia esteve “tão ameaçada” e elogiou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) pela atuação corajosa durante a campanha eleitoral.
"Além da sabedoria do povo brasileiro, que escolheu o amor em vez do ódio, a verdade em vez da mentira e a democracia em vez do arbítrio, quero destacar a coragem do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, que enfrentaram toda sorte de ofensas, ameaças e agressões para fazer valer a soberania do voto popular", destacou.
Continuando sua fala, o presidente eleito afirmou que o processo eleitoral foi marcado por ameaças à democracia e às instituições.
"Tentaram comprar o voto dos eleitores, com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público [o orçamento secreto no Congresso]. Intimidaram os mais vulneráveis com ameaças de suspensão de benefícios, e os trabalhadores com o risco de demissão sumária, caso contrariassem os interesses de seus empregadores", disse.
Lula acrescentou que a democracia enfrenta "um imenso" desafio no mundo todo. "Talvez maior do que no período da Segunda Guerra Mundial". Nesse sentido, o presidente eleito encerrou o discurso salientando esforços de garantia da normalidade institucional.
"É com o compromisso de construir um verdadeiro Estado democrático, garantir a normalidade institucional e lutar contra todas as formas de injustiça, que recebo pela terceira vez este diploma de presidente eleito do Brasil – em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro", disse Lula.
Moraes: quem promoveu ódio e desinformação será responsabilizado
A cerimônia de diplomação é uma forma de oficializar o resultado das eleições e uma condição formal para a posse da chapa, que ocorre apenas em 1º de janeiro. O mandato do petista terá início apenas após a cerimônia de posse.
Durante discurso proferido na cerimônia, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a Justiça Eleitoral se preparou para combater com eficiência ataques antidemocráticos contra o Estado de Direito e os "covardes ataques e violências pessoais aos seus membros".
"A diplomação da chapa presidencial eleita consiste no reconhecimento da lisura do pleito eleitoral e na legitimidade política conferida soberanamente pela maioria do povo brasileiro por meio do voto direto e secreto."
Além das formalidades, Moraes fez um duro discurso contra a circulação de informações falsas nas redes sociais (fake news). "Os extremistas, criminosos, milícias digitais começaram a atacar a mídia tradicional, para substituir livre debate por mentiras", disse.
"Ataques ao sistema eleitoral vem sendo realizado de maneira mais intensa há uma década no mundo todo, por grupos extremistas, antidemocráticos, que criminosamente, [tentam] desacreditar democracia, a partir desse ataque e pretendem substituir voto popular por ditadura", acrescentou.
O presidente do TSE também prometeu a responsabilização de "discursos de ódio e de desinformação" proferidos por grupos organizados.
"Já identificados, garanto que serão responsabilizados para que isso não retorne nas próximas eleições", concluiu.
Em 30 de outubro, Lula derrotou Bolsonaro nas eleições presidenciais com 50,9% dos votos (cerca de 60,3 milhões de eleitores). Esse será o terceiro mandato do petista, que governou o país anteriormente entre 2003 e 2010.
Assista a cerimônia de diplomação a partir do trigésimo minuto do vídeo (transmissão da Justiça Eleitoral).









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