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Lula defende o Pix e associa tarifaço a Flávio Bolsonaro: 'traidor da pátria'

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Lula vê sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como alvo dos EUA (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula vê sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como alvo dos EUA (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2), durante inauguração do novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO, que a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi baseada em uma "mentira". Lula associou a proposta de novas tarifas contra o Brasil ao ataque do governo estadunidense ao sistema brasileiro de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central.


"De forma intempestiva, anunciaram o aumento da taxação de produtos brasileiros para 25%. Com base numa mentira. A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas de cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”, afirmou o presidente,


O presidente afirmou que o Pix brasileiro é mais vantajoso que sistemas de empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico. Destacou as vantagens da tecnologia nacional, lembrando que, com sua infraestrutura pública e gratuita, tem movimentado mais recursos que as bandeiras de cartões de crédito tradicionais.


“O Pix assusta eles”, disse Lula, contando que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos que adote o mesmo sistema no país norte-americano


Durante seu discurso, Lula destacou as negociações que o Executivo tem mantido com o governo Donald Trump desde o ano passado e associou integrantes da família de Jair Bolsonaro (PL) à proposta tarifária dos Estados Unidos.


“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, disse Lula, acrescentando que Flávio Bolsonaro "foi pedir arrego", em uma tentativa para prejudicá-lo para as eleições de outubro. “Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”.


O presidente também declarou que aguarda um contato de Trump para esclarecer os rumos das negociações comerciais entre os dois países. Durante o evento, Lula segurou uma faixa com a frase "O Pix é do Brasil".


Além do Pix, o relatório do Escritório do Representante de Comércio estadunidense (USTR) cita questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento, corrupção e decisões judiciais envolvendo as plataformas digitais estadunidenses, como a X, Instagram e Whatsapp..


O relatório alega que o Pix brasileiro prejudica “injustamente” empresas como a MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.


A recomendação do USTR ainda não representa uma decisão definitiva sobre eventuais sanções comerciais. O prazo legal para a conclusão do processo termina em 15 de julho.


Marco Rubio

Lula também criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, da ala da extrema direita do governo Trump e apontado por integrantes do governo brasileiro como defensor de uma postura mais rígida em relação ao Brasil. "O tal do Marco Rubio, que é o anti América Latina e que eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil, ele não estava na reunião", disse, em referência ao encontro na Casa Branca no início de maio.


"Eles [Flávio e Eduardo Bolsonaro] foram encontrar com o Rubio e quando foi ontem eu soube da notícia que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%, quando nós estávamos em negociação", declarou.


China e alternativas

Ao destacar o reconhecimento da China, nesta terça-feira, ao status sanitário do Brasil como país livre de febre aftosa, o presidente indicou que o governo buscará alternativas comerciais caso enfrente restrições no mercado estadunidense.


"Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês", afirmou.


"Então veja, eu tenho muita sorte. Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro", completou.

 
 
 

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