Lula desafia Rúbio no PDT: 'Que venha, vamos derrotar todos'
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"Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil. Se o secretário de estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante convenção nacional do PDT, nesta segunda-feira (20), em Brasília.
No encontro, o partido oficializou a participação na coligação do PT nas eleições deste ano e o apoio à reeleição de Lula.
"Este país foi criado e construído por brasileiros [...] Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania."
As ligações da família Bolsonaro com a Casa Branca
Em uma carta a Flávio Bolsonaro, no mês passado, Rubio agradeceu o apoio de Flávio à decisão dos EUA de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e chamou de "generosa" a proposta do senador de criar uma equipe de transição com o governo dos EUA caso seja eleito presidente.

A carta foi uma resposta sobre as tarifas de 25% de produtos brasileiros, após uma visita do senador ao presidente norte-americano, Donald Trump. Desde 16 de julho, o Brasil recebe a maior carga tarifária entre os países da América Latina. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a sanção comercial vai afetar pelo menos 26% dos produtos exportados para o mercado norte-americano.
Quando os EUA impuseram sanções de 25% aos produtos brasileiros, Rubio foi às redes sociais e declarou Lula como culpado pela medida. A declaração foi vista como um aceno ao aliado conservador.
Além disso, no mesmo dia em que deu o prazo de um mês para a negociação das tarifas, em junho, o presidente estadunidense publicou uma foto ao lado do brasileiro no Salão Oval.
As tarifas extras foram justificadas pelos EUA como forma de retaliar práticas consideradas restritivas ao comércio norte-americano como os pagamentos Pix, o comércio digital, o acesso ao mercado de etanol, a propriedade intelectual e decisões envolvendo plataformas digitais.
O governo brasileiro afirmou que as acusações não encontram respaldo nas regras multilaterais do comércio, e que são "marco lastimável" nas relações entre os dois países, anunciou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apoio unânime do PDT
O Diretório Nacional do PDT aprovou, por unanimidade, o apoio do partido à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada durante a Convenção Nacional Partidária e Eleitoral, realizada na sede nacional da legenda, em Brasília (DF), diante de um auditório lotado por lideranças e militantes de todo o país.
Durante a convenção, os participantes também elegeram, por unanimidade, os integrantes do novo Diretório Nacional do PDT, responsável pela condução política e organizacional do partido. Um destaque importante foi a condução de Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, à vice-presidência.
Mais do que uma definição eleitoral, a deliberação posiciona o Trabalhismo na linha de frente da mobilização em defesa da democracia e contra o avanço da extrema-direita. Ao longo do encontro, dirigentes reafirmaram bandeiras históricas do PDT, como soberania nacional, educação pública, valorização do trabalho, direitos das mulheres, respeito à diversidade e proteção das populações mais vulneráveis.
Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi afirmou que o partido é a primeira legenda nacional a oficializar o apoio a Lula para a eleição deste ano. Segundo ele, a aliança não está condicionada a cargos ou espaços no governo, mas à coerência histórica do partido.
“Hoje estamos fazendo história porque, desde 1989, quando Brizola apoiou Lula no segundo turno, e de 1998, quando foi seu vice, não tivemos a oportunidade que temos agora: ser o primeiro partido nacional a anunciar oficialmente o apoio ao presidente Lula. Não é cargo, espaço em ministério ou qualquer benesse de poder que nos faz estar aqui. É a história da luta do povo brasileiro, é a história da coerência do PDT”, afirmou.
Lupi acrescentou que a convenção representa um reencontro do PDT com sua trajetória e uma reafirmação do compromisso da legenda com as lutas democráticas do país. O dirigente também informou que o trabalho apresentado pelo ex-governador Roberto Requião servirá de referência para o documento político que o partido encaminhará ao presidente Lula.
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) ressaltou que a aliança não significa abrir mão do projeto trabalhista, mas reconhecer que a defesa da democracia está acima dos interesses específicos de qualquer partido.
“Hoje o PDT toma a decisão política de apoiar a reeleição do presidente Lula. Isso não significa abrir mão de seus projetos e de uma bandeira para o Brasil. Hoje não se trata de projetos de partido, mas de um projeto muito maior, um projeto de Brasil. Não estamos apenas apoiando a continuidade do presidente da República; estamos reafirmando uma palavra simples: democracia”, declarou.
Soberania, democracia e história
Ao participar da convenção, Lula agradeceu o apoio e afirmou que a campanha será marcada pela defesa da soberania nacional e do regime democrático. O presidente também relacionou o avanço da extrema-direita ao desmonte de políticas públicas, ao negacionismo e às tentativas de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.
“Não há nada mais sagrado neste momento histórico do que duas coisas para marcar uma campanha política neste país. Primeiro, a defesa da soberania nacional. Nós precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho de que este país foi criado e construído por brasileiros. A outra coisa é a democracia. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar em governar este país”, afirmou.
Lula também destacou a educação como base de um país soberano e recordou os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) implantados por Brizola. Para ele, a escola em tempo integral representa um dos principais caminhos para reduzir desigualdades e transformar o futuro das crianças brasileiras.
Presidente nacional do PT, Edinho Silva agradeceu a parceria histórica entre os partidos e alertou para o crescimento internacional do extremismo.
“Estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas. Desde a Segunda Guerra Mundial não víamos o fascismo crescer no mundo em sua expressão mais cruel. Precisamos classificar este momento como de ascensão do fascismo para não errarmos na leitura da conjuntura e termos a dimensão do que está acontecendo”, afirmou.
A união entre PDT e Lula encontra raízes em diferentes momentos da história política brasileira. Em 1989, Brizola apoiou Lula no segundo turno contra Fernando Collor. Em 1998, integrou como vice a chapa presidencial liderada pelo petista. Quatro anos depois, Brizola e o PDT voltaram a apoiar Lula no segundo turno. Em 2022, a Executiva Nacional da legenda aprovou por unanimidade o apoio ao petista contra Jair Bolsonaro.
Neta do fundador do PDT, Juliana Brizola relacionou a decisão atual aos valores que marcaram a trajetória política do avô.
“Nós somos o partido dos exilados, dos torturados e dos mortos pela ditadura. O outro lado reverencia torturador, faz aliança com miliciano, entrega as nossas riquezas e não acredita na ciência. Este não é o lado do PDT”, declarou.
A convenção também reafirmou o apoio do PDT ao fim da escala de trabalho 6×1 e às políticas voltadas aos trabalhadores e às minorias. Com a decisão unânime, o partido mobiliza sua história e sua identidade em torno de uma tarefa nacional: impedir novos retrocessos e preservar a democracia, a soberania e o direito do povo brasileiro de decidir seu futuro.
Com Sputnik Brasil/Imprensa PDT





