Lula diz que pretende 'abrasileirar' o preço da gasolina


(Foto: Ricardo Stuckert)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (17), em entrevista à Rádio Progresso, de Cariri, no Ceará, que, se voltar à Presidência da República, mudará a política de preços da Petrobrás, que vinculou o preço dos combustíveis no Brasil ao dólar, fazendo com que a gasolina, por exemplo, seja vendida em algumas regiões do país por até R$ 8 o litro. Lula disse que há espaço para redução e que irá "abrasileirar o preço da gasolina", desvinculando-a do dólar e aumentando a capacidade de refino.

"Esses malandros estão destruindo a Petrobrás fatia por fatia", disse Lula, referindo-se à privatização de várias subsidiárias da estatal pelo governo Jair Bolsonaro (PL), como a venda do controle da BR Distribuidora (reduzindo sua participação na empresa de 71,25% para 41,25%), a rede de gasodutos TAG, refinarias, entre outras.

"Na hora que eles privatizaram a BR, o que aconteceu? Apareceram neste país 432 empresas que estão importando gasolina dos Estados Unidos, a preço de dólar, e aí o preço é internacional. E quem paga? O nosso companheiro que tem um caminhão, os pobres que têm um carro. E no final das contas sobra para quem não tem carro nem caminhão, que é o povo que vai ao supermercado comprar as coisas que estão mais caras porque o preço da gasolina, do diesel e do gás entra no preço dos alimentos. Então o povo está pagando gás, diesel e gasolina a preços que jamais poderiam pagar. A gente não deveria estar exportando petróleo cru e importante gasolina. A gente deveria estar exportando gasolina chique para os Estados Unidos, para a Europa", apontou o ex-presidente.

Lula argumentou que o Brasil consegue manter a produção com o pré-sal, o que provocaria uma redução maior nos preços dos combustíveis.

"O custo do barril do pré-sal equivale ao da Arábia Saudita. Como o Brasil é autossuficiente, não precisa seguir o preço internacional."

Se dirigindo ao mercado, Lula mandou um recado: "quero dizer em alto e bom som. Eu sei que o mercado fica nervoso quando eu falo, mas eu quero que eles vejam o seguinte: nós vamos 'abrasileirar' o preço da gasolina. O preço vai ser brasileiro porque os investimentos são feitos em reais. A gente vai tirar petróleo, aumentar a capacidade de refino".

O ex-presidente também criticou a privatização da Eletrobrás, que o governo Bolsonaro tenta vender. "Eu estou indignado com o que eles estão fazendo com esse país. Agora mesmo vão querer privatizar a Eletrobrás. Vai aumentar mais a energia elétrica, vão deixar o povo mais no escuro. Os empresários privados não têm preocupação se o povo está vivendo no escuro, se o povo está cozinhando na luz de candieiro. Quem tem que cuidar do povo é o Estado, quem tem que fazer política social é o Estado", disse na entrevista.

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