Lula: 'Orçamento secreto é a maior bandidagem'


(Foto: Ricardo Stuckert)

Discursando em Diadema, primeira cidade administrada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) a partir de 1983 no ABC paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (9) que o orçamento secreto, criado pelo governo Bolsonaro, "é a maior bandidagem" e que, se eleito, vai colocar "ordem na casa" ao dialogar com o Congresso.

"O orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos. Vamos ter que discutir [isso] com o Congresso. Quem administra o orçamento é o governo. O Congresso legisla e o Judiciário julga. Uma das nossas tarefas, minha e do Alckmin [pré-candidato a vice na chapa], é a de colocar ordem na casa", disse Lula diante da multidão.

Ainda discursando no evento convocado por partidos de esquerda que apoiam a sua pré-candidatura, Lula disse que a fome e o desemprego enfrentados pelos brasileiros atualmente são causados “pela falta de vergonha na cara de quem governa esse país”.

“Depois do PT ter acabado com a fome nesse país, a gente percebe que 33 milhões de brasileiros vão dormir sem ter o que comer, que 105 milhões de pessoas têm algum problema de insuficiência alimentar. Como é que se explica num país que é o terceiro produtor de alimento do mundo ter gente indo dormir sem comer, que as pessoas precisam enfrentar fila pra pegar um osso pra levar pra casa?”, disse o ex-presidente, que governou o país de 2003 a 2010.

“Não é falta de capacidade produtiva, é falta de dinheiro e essa falta de dinheiro é causada pelo desemprego e o desemprego é causado pela falta de vergonha na cara de quem governa esse país”, declarou ainda.

'Pior do que em 2003'

O ex-presidente acredita que, se for eleito em outubro, vai pegar um país pior do que pegou em 2003.

“Vocês têm que saber que nós vamos pegar um país pior do que nós pegamos em 2003. A inflação tá maior, a taxa de juros tá maior, o desemprego tá maior, e o que é mais grave: a massa salarial está muito menor. Hoje mais de 80% das categorias profissionais fizeram acordo no ano passado fizeram acordo com menos que a inflação. Ou seja, não conseguiram sequer repor a taxa da inflação”, declarou.

Lula ainda fez questão de relembrar que o presidente Jair Bolsonaro (PL), no auge da pandemia de covid-19, propôs que o auxílio emergencial fosse de R$ 200. A oposição defendeu valor de R$ 600, que acabou aprovado pelo Congresso.

“Depois, ele tirou os R$ 600 e baixou para R$ 400. Agora, esta semana eu vi que ele quer dar os R$ 600. Até dezembro, até dezembro. Ele quer dar R$ 1000 para motoristas de caminhão. Até dezembro. Ele quer dar dinheiro para os taxistas. Até dezembro. Por que esse fascista pensa que o povo vai ser tratado como ignorante ou gado, que ele acha que vai comprar dando programa para seis meses?”, indagou.

'Uma banana' para Bolsonaro

Após destacar que a ajuda e os benefícios previstos na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) - que ainda depende de aprovação do Congresso - só valerão "até dezembro", Lula aconselhou a população:

"Não recuse o dinheiro. Mas na hora do voto é preciso votar em quem vai cuidar desse país. O conselho que eu quero dar para vocês é o seguinte: se o dinheiro cair na conta de vocês, peguem e comprem o que comer. E na hora de votar deem uma banana pra ele [Bolsonaro] e votem para agente mudar a história deste país", declarou.

O evento em Diadema apresentou a chapa do pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, com o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato ao Senado. França desistiu da candidatura ao governo para ajudar a consolidar a aliança nacional entre PT e PSB.

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