Lula reúne multidão no Rio e diz que mulheres vão decidir eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou este sábado (24), último dia de campanha das eleições de 2026, em um ato que reuniu centenas de milhares de pessoas na praia de Copacabana. Acompanhado por Eduardo Paes (PSD), Benedita da Silva (PT), pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) e pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), entre outras figuras políticas do campo progressista, Lula se direcionou ao público feminino.
Em Copacabana, o presidenciável relembrou a declaração de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), sobre o caso Ana Clara durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira (23). Diante de Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança, que acompanhava o debate na plateia, Flávio afirmou confiar na inocência do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina e de cuja defesa o senador participou como advogado. Ana Clara tinha 5 anos quando foi atingida por tiros de fuzil enquanto brincava na porta de casa, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021.

“Vocês viram o cinismo dele [Flávio] ao falar da morte da menina Ana Clara?”, perguntou Lula à multidão.
Lula direcionou sua fala ao eleitorado feminino. “Quem vai ganhar essas eleições são as mulheres. Cada mulher que sentiu a dor daquela mãe que perdeu uma filha, uma menina de 5 anos de uma bala de um policial bandido, cada mulher não pode votar num miliciano”, defendeu. Cristiane também esteve no ato em Copacabana em um dos trios da campanha, acompanhada do deputado federal Marcelo Freixo (PT).
O pedido de Lula foi seguido por uma fala da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que relembrou o protagonismo das mulheres na luta em defesa da democracia. “Que todas as mulheres pensem nos filhos, pais e avós e vão votar pelo futuro do Brasil. Nós, mulheres, somos as guardiãs da democracia e podemos entregar esse quarto mandato para o presidente Lula, que é ele que faz as políticas públicas que mais impactam a vida das mulheres. Vamos permanecer atentas e fortes”, finalizou.
Por fim, Lula agradeceu a presença dos participantes e pediu aos apoiadores que entrem no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que, na última sexta (23), chegou à marca de 10 milhões de participantes e é o maior canal sobre política no Brasil no WhatsApp e o 2º maior canal do WhatsApp no Brasil em geral, atrás apenas do “Pack de Figurinhas”.
Depoimentos
A advogada Thaís Matos, de 40 anos, participou do ato acompanhada da filha Maria Flor, de 1 ano e 5 meses. Moradora de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, ela disse que a defesa da democracia e o desejo de que a filha cresça em uma sociedade segura motivaram sua presença. Thaís também afirmou ter sido tocada pelo caso Ana Clara e criticou a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial acusado de matar a menina. Na reta final da campanha, contou ter participado de ações de porta em porta na comunidade do Pereirão, de uma mobilização com mães no Largo do Machado e de atividades pela internet.
O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) destacou a mobilização nas ruas e nas redes em apoio a Lula e disse que as gerações mais velhas têm aprendido com a atuação digital da militância. “A gente sempre fala ruas e redes, mas reconheçamos: éramos meio fracos nas redes. Agora não, deu uma virada impressionante”, afirmou. Em Copacabana, o parlamentar também defendeu o enfrentamento ao preconceito e à desinformação. “Nós temos que derrubar o cinismo, a mentira, o preconceito”, declarou, ao pedir respeito às mulheres, à população negra, aos indígenas e à democracia.
Moradores de Campo Grande, na zona oeste do Rio, a enfermeira Amanda Gabriel Pimentel e o matemático Renan Valani disseram ter ido ao ato para manifestar oposição a Flávio Bolsonaro e defender propostas para a saúde e a segurança pública. Amanda, que relatou ter trabalhado na linha de frente da pandemia e na vacinação, criticou a disseminação de discursos antivacina durante o governo Jair Bolsonaro. Os dois também contaram que participam de mobilizações na região onde vivem e denunciaram a pressão de milícias sobre moradores. “A gente participa de todas as mobilizações dentro do nosso horário de trabalho, porque a gente também trabalha”, afirmaram.
Do Brasil de Fato










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