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Lula se reúne com Modi e diz que não aceita ‘intromissão’ de Trump no BRICS

  • 8 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Presidente Lula recebeu o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Presidente Lula recebeu o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira (8), em Brasília, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, marcando a visita de Estado do líder do país mais populoso do planeta com 1,4 bilhão de habitantes. Modi veio à capital federal após participar, nos últimos dias, da cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro.


Em declaração à imprensa após a reunião bilateral, Lula defendeu um protagonismo maior de Brasil e Índia na governança global e voltou a pedir que os dois países passem a ser membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).


"O que é mais importante é que Brasil e Índia têm um potencial extraordinário e, por isso, reivindicamos o direito de participar no Conselho de Segurança da ONU. Não é mais possível a gente ver a ONU enfraquecida, não sendo levada em consideração. E os membros fixos [permanentes] do Conselho, que deveriam primar pela paz, são os que mais estimulam a guerra", disse Lula.


Na mesma linha, Modi comentou a aproximação dos dois países como fator de maior estabilidade no cenário internacional.


"Essa parceria entre Índia e Brasil é um pilar importante de estabilidade e equilíbrio. Nós acreditamos que todas essas disputas devem ser resolvidas por meio do diálogo e da democracia. Nossas visões nessa luta com o terrorismo estão aliadas, tolerância zero", observou.


Lula pontuou que o fortalecimento de iniciativas conjuntas em áreas estratégicas é um passo importante na relação bilateral. "Dois países superlativos como a Índia e o Brasil não podem permanecer distantes. A solidez das nossas democracias, a diversidade das nossas culturas e a pujança das nossas economias nos atraem", disse.


Comércio bilateral

O presidente também defendeu a ampliação do Acordo Mercosul-Índia para reduzir barreiras comerciais e destacou o potencial do intercâmbio entre as duas economias. "Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo. Temos muito a avançar", disse Lula, que citou a necessidade de aprofundar contatos entre as duas nações nos setores de turismo, negócios e o intercâmbio cultural.


A Índia é atualmente o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 12 bilhões. As exportações brasileiras chegaram a US$ 5,26 bilhões, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. As importações somam US$ 6,8 bilhões, fazendo da Índia a sexta maior origem de importações para o Brasil.


Sobre isso, Narendra Modi afirmou ser possível ampliar o fluxo comercial para um patamar bem superior. "Estabelecemos a meta de utilizar vários milhões de dólares nos próximos cinco anos. E estimamos chegar a US$ 20 bilhões de dólares na nossa cooperação comercial. Juntos, vamos trabalhar na expansão do acordo comercial de referência da Índia e do Mercosul", reforçou.


Acordos

Entre os atos firmados pelos dois líderes, estão um acordo de cooperação no combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional; um memorando de entendimento na área de energia renovável, com foco em transmissão de energia; e o memorando para compartilhamento de soluções digitais em larga escala, voltadas à transformação digital.


Na agenda ambiental, Lula enfatizou o protagonismo dos dois países.


"Chegaremos à COP 30 como líderes da transição energética justa. Mostraremos que é possível aliar redução nas emissões de gases de efeito estufa e crescimento econômico e inclusão social", disse.


Lula lembrou que a Índia é o mercado de bioenergia que mais cresce no mundo e tem como meta ampliar para 20% a mistura de etanol na gasolina e para 5% a proporção de biodiesel no óleo diesel.


O presidente brasileiro citou ainda que, em agosto, Brasil e a ONU realizarão em Nova Délhi, capital da Índia, a segunda rodada do Balanço Ético Global, para mobilizar a sociedade civil de todo o mundo em preparação à COP30.


A candidatura da Índia para sediar a COP 33 também "fortalece o protagonismo dos países emergentes no enfrentamento à mudança do clima", salientou Lula.


Críticas a Trump

No final de sua declaração à imprensa, ao lado de Modi, Lula voltou a criticar duramente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de 10% contra "qualquer país que estiver no BRICS, só por esse motivo".


Lula afirmou que o Brasil não aceitará ingerência externa em suas decisões e reforçou o direito à autodeterminação dos povos.


“Somos países soberanos, não aceitamos intromissão de quem quer que seja nas nossas decisões soberanas, no jeito que cuidamos do nosso povo”, declarou Lula, em resposta à fala de Trump.


Lula classificou como “inaceitável” qualquer reclamação sobre a reunião dos BRICS e afirmou que o bloco representa uma alternativa pacífica e inclusiva de governança global. “Nesse mundo conturbado, Índia e Brasil se apresentam com a perspectiva de serem dois países que simbolizam a paz no mundo. Nós achamos que o mundo não precisa de guerra. Precisa de respeito”, declarou.


O presidente brasileiro reafirmou a condenação à invasão da Ucrânia pela Rússia, manifestou solidariedade ao povo palestino e criticou o papel atual do Conselho de Segurança da ONU. “Não é possível mais ver a ONU enfraquecida, não sendo levada em consideração, e os membros do Conselho de Segurança, que deveriam primar pela paz, são exatamente aqueles que mais estimulam a guerra”, afirmou.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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