Luna defende lucro e nega culpa da Petrobrás por alta de preços


General da reserva Silva e Luna, presidente da Petrobras (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em meio à disparada dos preços dos combustíveis, com gasolina a R$ 7 o litro, gás de cozinha acima de R$ 100 e diesel a quase R$ 5, o presidente da Petrobrás, general de Exército da reserva Joaquim Silva e Luna, negou neste domingo (17) que a estatal seja a responsável pela alta dos preços e disse que a empresa não vai aceitar intervenção. Segundo ele, o "tabelamento de preços sempre trouxe as piores consequências", a busca pelo lucro não deve ser condenada e a decisão sobre privatizar ou não a Petrobrás cabe ao governo federal.

"O que evita o desabastecimento nos mercados e viabiliza o crescimento equilibrado da economia é justamente a aceitação de que os preços são determinados pelo mercado, não por 'canetadas' [...]. O fortalecimento do dólar em âmbito global e, em especial, no Brasil, tem alavancado os preços das commodities e incrementado a inflação. Mas essas incômodas verdades não parecem muito apelativas", disse Silva e Luna ao portal UOL.

Só em 2021, a Petrobrás subiu o preço da gasolina em 60% nas refinarias, e o diesel, em mais de 50%. Enquanto isso, o dólar se valorizou quase 30% em 2020 e já subiu outros 5% este ano.

Na quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro disse que "não pode direcionar melhor" os preços e que tem "vontade" de privatizar a Petrobras: "Se tenho vontade de privatizar a Petrobrás, tenho vontade. Vou ver com a equipe da economia o que a gente pode fazer".

Sobre a possibilidade de congelar o preço da gasolina, o presidente da Petrobras afirma que já foi tentado anteriormente e, segundo ele, sempre se mostrou um equívoco.

"Tabelar preços sempre trouxe as piores consequências econômicas para qualquer país que o faça. E ninguém imagina cometer erros velhos", disse.

CPI da PPI

No Senado, já existe proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a política de formação de preços da Petrobrás - a chamada política de paridade internacional (PPI). A proposta foi protocolada em julho pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Hoje, o valor do diesel, gás e gasolina considera a flutuação do valor do preço do barril de petróleo no mercado internacional, que atualmente está 35% mais barato que há quatro anos. A PPI foi iniciada com o governo golpista de Michel Temer, que estabeleceu o repasse dos aumentos dos preços do petróleo no mercado internacional e também do dólar.

Segundo argumentou a senadora, a CPI teria funcionamento restrito, com vigência de 30 dias, e analisaria também a política de desinvestimento atual da estatal, que tem vendido refinarias e diminuído a capacidade de refino do país - medidas que abrem caminho para o aumento da importação de diesel pelo mercado brasileiro, hoje equivalente a 25% do total comercializado.

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