Máfia da vacina queria buscar apoio de Bolsonaro


(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Áudios de um diálogo entre os representantes da Davati no Brasil, o empresário Cristiano Carvalho e o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, apontam que uma aproximação com o presidente Jair Bolsonaro era parte do plano para negociar com o governo 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Eles tentaram marcar "extraoficialmente" uma conversa com Bolsonaro por intermédio do reverendo Amilton Gomes de Paula, da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah). Dominguetti havia dito que o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, teria pedido propina de 1 dólar por dose da vacina.

Os áudios foram obtidos pela CPI da Covid a partir da apreensão do celular de Dominghetti. Eles articulam uma conversa com o presidente para levar a proposta que eles estavam negociando com o Ministério da Saúde.

"Dominghetti, agora nós precisamos aí...O reverendo tá falando que tá marcando um café da manhã com o presidente amanhã às 10h, 9h, sei lá eu, que vai ter um café com os líderes religiosos. A gente vai entrar no vácuo, tá? Agora tem que fazer ele confirmar isso aí pra gente colocar uma pulguinha atrás da orelha do... Do presidente, tá?", disse Cristiano, no diálogo que aconteceu no dia 13 de março deste ano, e divulgado nesta quinta-feira (8) pelo G1.

Depois o militar enviou uma mensagem de voz para o empresário.

"Cristiano, o que eles me falaram, eu nem sabia que ia ter agenda com o Bolsonaro, você que me falou, o que eles me falaram é assim, que estão atuando fortemente lá, que agora depende do presidente, ele não marca agenda, ele fala assim vem aqui agora. Então, assim, de uma forma mais urgente. Agora, para falar com ele em agenda, eles conseguem marcar segunda, terça, quarta, porque aí entra na agenda oficial", afirmou Dominguetti, e acrescentou: "O que eles estão tentando é que o presidente te receba de forma extraoficial, entendeu, devido à urgência. É o que eles estão tentando. Agora agenda oficial eles conseguem marcar, o que estão tentando é uma agenda extraoficial."

Em 16 de março, o empresário deu demonstrações de não acreditar mais no poder do reverendo para marcar a audiência com Bolsonaro em novo diálogo encontrado no celular do militar.

"O reverendo tá me dizendo aqui que falou com o pastor Malafaia, que até 10h chega a resposta e tal, mas... (rindo) as coisas que o reverendo fala não dá pra acreditar em nada. Tá que nem o (?) da H1N1, car...[palavrão], que é segunda, é quarta, terça, segunda, sexta... ai meu Deus do céu, tá louco".

O reverendo Amilton Gomes de Paula confessou ter dialogado com Cristiano Carvalho e com Luiz Paulo Dominghetti sobre a venda de vacinas para o Ministério da Saúde. O reverendo afirmou, no entanto, que não chegou a tratar do assunto com Bolsonaro.

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