Márcia Pessanha lança livro em manhã poética na SFF
- 11 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Por Alberto Araújo, Focus Portal Cultural
Na manhã dourada de 9 de agosto de 2025, Niterói acordou mais poética. As ruas do centro, embaladas pelo sopro suave de um sábado luminoso, foram palco de um daqueles raros encontros que unem memória, afeto e arte. No coração da cidade, a Sociedade Fluminense de Fotografia presidida por Antônio Machado e situada na Rua Dr. Celestino, no coração de Niterói se transformou em templo literário para receber o lançamento de Viagem ao Encantador Universo dos Haicais, de Márcia Pessanha — obra que, mais do que livro, é um delicado relicário da alma brasileira.

O evento, marcado pela presença de escritores, acadêmicos, professores e representantes de importantes instituições culturais, foi um tributo à palavra breve e ao olhar atento, que faz do instante efêmero uma eternidade de significado.
Márcia Pessanha, com o brilho sereno de quem celebra um sonho realizado, estava sentada à mesa, não uma mesa qualquer, mas um altar de delicadezas. Flores vivas dialogavam com pequenos enfeites colocados ali para harmonizar com sua poesia.
O livro, “Viagem ao encantador universo dos haicais”, repousava em destaque, cercado por aromas sutis e símbolos que remetiam à leveza e à contemplação. Entre páginas e pétalas, a autora autografava exemplares, seu olhar concentrado e mãos seguras revelando a emoção de compartilhar versos que nascem da alma.
O ambiente parecia suspenso no tempo, como se cada gesto fosse um haicai em movimento. Márcia sorria, e nesse sorriso havia a síntese do momento: gratidão, beleza e o encontro perfeito entre palavra e presença.

A obra foi publicada pelo selo Parthenon Centro de Arte e Cultura, com edição, diagramação e design de Mauro Carreiro Nolasco. Com 126 páginas, abrigando 180 haicais organizados em 15 contextos temáticos, a obra é um delicado relicário de percepções, onde cada verso é um instante capturado flashes poéticos, como define a própria autora, e que “os olhos, janelas da alma”, transformam em memória e arte.
Nas Palavras Introdutórias, Márcia revela a essência dessa viagem poética: a contemplação da terra, das serras, das praias e matas, da fauna e flora, da gente e das tradições. É um percurso sensorial que envolve o barulho do mar, o sussurro do vento, o cheiro da terra molhada, o perfume das flores e o canto dos pássaros. O ponto de partida é o campo, inspirado pelo verso de Drummond — “Ó solidão do boi no campo” — de onde brotam haicais que retratam a vida rural, o camponês, o guardador de rebanhos e a simplicidade essencial da natureza.
O livro é dedicado com ternura e profundidade, segundo suas palavras: Aos meus pais Maria José e Reinaldo, in memoriam, sacralidade e firmeza das raízes, em fecunda terra. Ao meu marido Aldo, amigo no plantio. Aos meus filhos Marcelo e Aldo, frutos da colheita. Aos meus netos Bento, Benjamin, Bernardo e Luíza, sementes de floridas esperanças.
O Prefácio, assinado por Paulo Roberto Cecchetti, poeta, haicaísta e parceiro de Márcia no livro Haicais em Dueto – Olhares Poéticos, é uma verdadeira leitura guiada, destacando a fidelidade da autora à métrica nipônica (5-7-5 sílabas) e a influência do mestre Luís Antônio Pimentel. Ele percorre haicais que vão do campo — Carroça de boi / passando, traz da fazenda / cheiro, som e cor. — ao canto dos pássaros — Doce melodia. / O canto do bem-te-vi / encanta menino. — passando por cenas de quintais, jardins, luar, memórias, festas populares, reflexões sentimentais e causas sociais. Para Cecchetti, o trabalho de Márcia merece aplauso de pé: “Arigatô!”
Nas orelhas do livro, a haicaísta e presidente da Associação Niteroiense de Escritores, Leda Mendes Jorge, define Márcia como autodidata em haicais, dona de “incomparável vocação poética”, criadora de metáforas espontâneas e delicadas, que compreende a essência do haicai como poesia, arte e singeleza.
A Mensagem da Editora, assinada por Mauro Carreiro Nolasco, reforça que a obra é “uma reflexão sensível sobre a relação entre natureza e poesia”, destacando o domínio de Márcia sobre a percepção sensorial e a organização minuciosa dos 180 haicais em 15 argumentos. Para ele, o livro conduz o leitor “a vastos cenários a serviço do poema”, harmonizando concepção artística e perceptiva, e convidando-o a também encontrar poesia no cotidiano.

No momento do lançamento, Márcia Pessanha recebeu todos os amigos com um sorriso largo e luminoso, ladeada pelo esposo Aldo Pessanha. Escritores, professores, amigos, familiares e amantes da cultura niteroiense circularam pela manhã festiva, entre abraços, conversas e registros fotográficos. Não foi apenas o lançamento de um livro, mas um ato de celebração da palavra breve, da natureza e da vida.
Viagem ao Encantador Universo dos Haicais é, portanto, mais do que uma obra literária: é um convite para ver o mundo com olhos de poeta, onde cada instante é semente e cada verso, colheita.
Assim, no coração de Niterói, sob o brilho suave de uma manhã de agosto, a poesia encontrou verdadeiramente a sua morada. Um brilhante dia em que Márcia Pessanha convidava o público a embarcar em sua Viagem ao Encantador Universo dos Haicais, a obra que traduz, em versos breves e profundos, a beleza das paisagens, das emoções e da alma humana. O lançamento não foi apenas um evento literário, mas uma celebração da sensibilidade que transforma o efêmero em eterno, o cotidiano em arte.
Ao final da manhã de encontros e palavras, ficou a certeza de que os haicais de Márcia Pessanha são muito mais que simples versos: são sementes lançadas ao vento da vida, prontas para florescer no coração de quem as lê. O lançamento de Viagem ao Encantador Universo dos Haicais reafirma o poder da poesia de despertar o olhar e a alma, mostrando que a grandiosidade está muitas vezes nas pequenas coisas, no sopro do vento, no brilho da lua, no silêncio entre as sílabas. Que esse livro seja um convite constante a essa jornada de encantamento e descobertas.
Estiveram presentes companheiros de jornada educacional e cultural da autora, formando um verdadeiro mosaico de talentos e afetos: a própria autora Márcia Pessanha e familiares; Paulo Roberto Cecchetti (prefaciador); Leda Mendes Jorge (autora da orelha); Mauro Carreiro Nolasco (Publisher); Matilde Carone Slaibi Conti (presidente do Elos Internacional e de outras instituições); Ana Maria Tourinho (vice-presidente cultural mundial da RSF) e seu esposo Dr. Euderson Tourinho; Ricardo Cavalieri (ABL) e sua esposa; Waldeck Carneiro (AFL); Namir Lagos (Secretaria de Educação); Regina Coeli Silveira (Rotary); Angela Riccomi (presidente do Rotary Novos Tempos); Victorino Aguiar e esposa; o jornalista e acadêmico da AFL Erthal Rocha e sua esposa Mânia; Mimi Lück (acadêmica) e sua filha Esther Lück; os acadêmicos Geraldo Bezerra de Menezes, Gilda Uzeda, Luiz Ferreira, Verônica de Oliveira, Liane Arêas, Dulce Mattos, José Augusto Oliveira Huguenin, Áttila Valente, Concita Cordeiro, Lúcia Romeu, Will Martins; Ana Paula Campos (coordenadora do setor de Comunicação e Eventos da UFF); Hanna Ramalho; Maria Otília Camillo; Leonila Murinelly; Francisco Vignoli; Ruth Bompet (fonoaudióloga clínica); e os familiares de Márcia: Marcelo Pessanha (filho) e sua companheira Patrícia Miranda; Aldo de Jesus Pessanha (filho) e sua esposa, a psicóloga Bruna Monteiro; Bento Franco (neto) e sua namorada Maria Flor; Bernardo Pessanha (neto); o jornalista Pinheiro Junior; e muitos outros que, juntos, transformaram o lançamento numa celebração da cultura, da amizade e da poesia. O coquetel oferecido pela autora ficou a cargo da Chef Valéria Gervásio, que fez tudo com carinho e delícias.

Quando a manhã se despediu, levando consigo o perfume das conversas e o calor dos abraços, ficou gravada na memória coletiva a certeza de que Niterói havia vivido um momento histórico. O lançamento de Viagem ao Encantador Universo dos Haicais não apenas apresentou um livro ao mundo, apresentou o mundo através dos olhos de uma poetisa apaixonada por poesias.
Aquele encontro foi mais do que um evento literário: foi a reafirmação de que a cultura é ponte, é raiz, é vento que espalha sementes de sensibilidade. Naquele momento, no coração da cidade, a poesia de Márcia Pessanha plantou flores invisíveis que continuarão a brotar no imaginário de todos que estiveram presentes.









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