Mãe morreu de covid e usou kit sem eficácia, confirma Hang


(Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

O empresário bolsonarista Luciano Hang prestou depoimento nesta quarta-feira (29) à CPI da Covid, e confirmou que no atestado de óbito da mãe, Regina, não consta a informação sobre a doença, o que segundo ele, teria sido um erro do plantonista ao preencher e não a seu pedido para omitir a causa da morte no documento. O "véio da Havan", que se negou a assinar compromisso de dizer a verdade à CPI, admitiu, porem, que autorizou o "tratamento precoce" da mãe, diagnosticada com covid-19, com o "kit covid" com cloroquina, ivermectina e azitromicina - remédios sem nenhuma eficácia contra a doença.

Segundo ele, a mãe só foi diagnosticada quando estava com quase 90% dos pulmões tomados pela covid-19.

“Tratamos ali em casa ainda com cloroquina, ivermectina, azitromicina, vitaminas (medicamentos comprovadamente ineficazes contra covid-19). Tratamos com ela. E aí é o tratamento inicial, embora já se tenha passado cinco ou seis dias que ela estava com a doença”, disse.

Segundo ele, a mãe deu entrada no hospital Santa Maggiore, da rede Prevent Senior no dia 1º de janeiro com 95% dos pulmões tomados pela Covid-19.

Hang afirmou, no entanto, que a mãe tinha problemas cardíacos e morreu devido à comorbidades, em decorrência da Covid-19.

Segundo o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a ocultação da doença entre as causas da morte de Regina Hang foi para não prejudicar a Prevent Senior, que fazia experiências macabras com o "tratamento precoce".

Renan Calheiros exibiu vídeo no qual Luciano Hang lamenta que a mãe dele não tenha feito uso do “tratamento preventivo” contra a covid-19. Segundo o relator, a afirmação não corresponde com os dados do prontuário e da certidão de óbito da mãe do depoente, que indicava que a paciente tinha feito uso do “kit covid” antes de dar entrada na Prevent Senior. Para Renan, o caso caracteriza tentativa de “fraude” para não reconhecer que medicamentos sem eficácia comprovada não teriam surtido efeito.

Humberto Costa: depoimento confirma crimes cometidos por Hang

O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que, antes da audiência de hoje, chegou a ficar em dúvida sobre a necessidade da vinda de Luciano Hang, mas que agora considera o depoimento válido porque, segundo o parlamentar, confirma os crimes cometidos pelo empresário. De acordo com Humberto, Luciano Hang ajudou a divulgar fake news, disseminou a teoria da imunidade de rebanho (sem necessidade de vacina), cometeu infração de medida sanitária preventiva e colocou sob risco a saúde e a vida de pessoas.

Empréstimos junto ao BNDES

Durante a campanha eleitoral para presidente em 2018, o dono da Hawan gabava-se de nunca ter lançado mão de recursos públicos para impulsionar o crescimento de sua empresa. À CPI, Hang disse que sua rede de lojas já requisitou linha de crédito subsidiado junto ao BNDES para compra de máquinas. Ele afirmou também que pode ter recebido outros subsídios da União ou de governos estaduais e municipais, mas que não saberia precisar especificamente por possuir 164 lojas e muitos anos de atuação.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), interveio para informar sobre o recebimento de um documento do próprio BNDES que confirma a concessão de financiamento ao empresário no valor de R$ 27 milhões.

Ainda questionado pelo relator se promoveu algum site propagador de fakenews para monetizá-lo, ele informou que a empresa investe, por ano, R$ 250 milhões em propaganda. Segundo Hang, o investimento foi direcionado pelo próprio Google e que a plataforma teria a autonomia “de colocar a propaganda onde ela quiser”.

Episódio das algemas

Omar Aziz (PSD-AM) classificou como “resposta esfarrapada” a explicação de Luciano Hang para o episódio das algemas. Antes do depoimento, o empresário publicou um vídeo na internet ostentando algemas e dizendo que elas seriam usadas por ele, caso recebesse voz de prisão na CPI. Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL), Hang disse que o Brasil precisa ter mais senso de humor.

Omar Aziz rebateu. O presidente da CPI lembrou que perdeu um irmão para a pandemia de coronavírus e que a mãe do próprio Luciano Hang também foi vítima.

"Essa sua resposta é muito esfarrapada. Estamos tratando de mais de 600 mil vidas, inclusive meu irmão e sua genitora. O senhor vai fazer uma brincadeira dessas nessa hora? Parentes, pais, mães e crianças órfãs, que estão ao deus-dará. O senhor acha que tem condição de brincar com isso? Isso é um desrespeito. Se o senhor não respeita sua dor, respeite pelo menos a dor dos outros", advertiu o senador.

Deputado denuncia suposta fraude

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou nesta quarta-feira (29), junto ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), uma representação contra o empresário e a operadora de saúde Prevent Senior sobre a suposta adulteração na certidão de óbito de Regina Hang, mãe de Luciano.

A Prevent Senior está sendo investigada por realizar experimentos ilegais com medicamentos ineficazes sem o consentimento dos pacientes e, segundo os médicos que denunciam a empresa, certidões de óbitos eram alteradas como uma tentativa de provar a inexistente eficácia do tratamento com “kit Covid”.

“As práticas delitivas ocorridas dentro de um cenário pandêmico revelam cristalinamente o animus dos envolvidos nos fatos antijurídicos em omitir dados sobre as mortes causadas pela Covid-19, enquanto utilizavam hospitais administrados pela empresa mencionada, como laboratório para teste de medicamentos sem eficácia comprovada, o que aumenta ainda mais a gravidade dos fatos apontados no referido dossiê”, ressaltou o deputado.


Com informações da Agência Senado

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