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México lança sistema universal de saúde inspirado no SUS

  • 10 de abr.
  • 4 min de leitura

Ministro da Saúde, Alexancre Padilha, e secretário da Saúde do México, David Stalnikowitz (Foto: João Risi/MS)
Ministro da Saúde, Alexancre Padilha, e secretário da Saúde do México, David Stalnikowitz (Foto: João Risi/MS)

Em janeiro de 2027, a população mexicana começará a ser atendida por uma rede semelhante ao Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira fase, de cadastramento dos usuários com mais de 85 anos de idade e um acompanhante ou cuidador, terá início na próxima segunda-feira (13) e término em 30 de abril.


Um dos mecanismos prioritários do Serviço Universal de Saúde para o governo é a unificação de bases de dados dos pacientes das diferentes redes, o que permite a visualização de prontuários já cadastrados, evitando que os profissionais de saúde os tratem sem nenhuma informação.


A ideia é disponibilizar um aplicativo digital que centralize, inclusive, resultados de exames laboratoriais.


O serviço receberá investimentos que garantam remessas de medicamentos e amplo funcionamento de unidades de atendimento e salas de cirurgia. O governo tem como foco áreas de atendimento emergencial, gravidez de alto risco, infartos, doenças do cérebro, câncer de mama, consultas preventivas, quadros graves, nutrição, exercícios físicos e saúde mental, além de tratamentos contínuos.


Em 2028, o governo dará ênfase ao intercâmbio de serviços como o abastecimento de remédios, consultas com médicos especialistas e atenção primária para pacientes com doenças crônico-degenerativas, caso do Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide.


Primeiro momento

Para o primeiro grupo de usuários, o documento de identificação atrelado ao sistema será entregue seis semanas depois do registro. Com emissões a cargo da Secretaria de Bem-Estar, o documento substituirá os expedidos pelas instituições que atuam na área da saúde, no país, como o Instituto Seguridade Social Mexicana (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e o Petróleos Mexicanos (Pemex). Estas são organizações de seguridade social, que contam com verbas do governo, dos empregadores e dos funcionários e estrutura e equipe próprias.


Já os trabalhadores autônomos, sem carteira assinada, desempregados e pessoas fora do mercado de trabalho dependem da Secretaria de Saúde (SSa), de Serviços Estaduais de Saúde (Sesa) e do Programa IMSS-Oportunidades (IMSS-O). Há, ainda, a parcela contemplada por planos de saúde privados.


O credenciamento será feito, nesse momento, em 24 dos 31 estados, número que deve ser ampliado. Ao todo, as equipes percorrerão 47 municípios, incluindo as 16 demarcações territoriais que compõem a Cidade do México, e a expectativa é atingir 2 milhões de pessoas em 2.059 módulos.


O governo mexicano informou a disponibilidade de 2 mil centros médicos, que considera o suficiente para vencer as demandas das capitais da primeira fase de implantação e as de outras localidades, futuramente.


A pasta de Bem-Estar também ficou responsável por divulgar o calendário com os cadastros dos demais grupos populacionais.


“Vamos continuar informando todas as semanas, para que as pessoas saibam onde estão os módulos e como vai o cadastramento. É o melhor modelo que podemos seguir para garantir o acesso à saúde", disse a presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, que anunciou o programa no início da semana.


Dados do país

A Organização Panamericana de Saúde (Opas) destaca que a população do México aumentou 31% de 2000 para 2023, sendo, hoje, de 128 milhões de pessoas, com maioria de mulheres. Em média, os mexicanos e mexicanas somam 9,7 anos de estudo e 75 anos de expectativa de vida.


A proporção de habitantes com acesso à internet, algo relevante no contexto da transformação do sistema de saúde, é de 72%. A razão de dentistas que atendem à população era, em 2020, de 0,11 a cada 10 mil pessoas, enquanto a de médicos, 26,09 em 2021.


Acordo com o Brasil

Brasil e México firmaram na última quarta-feira (8), em Brasília, acordo estratégico com foco em cooperação técnica, científica e institucional, reforçando a integração entre seus sistemas públicos e ampliando o acesso da população a serviços, tecnologias e medicamentos.


A medida foi oficializada com a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo secretário de Saúde do México, David Kershenobich Stalnikowitz,


A parceria estabelece bases para atuação conjunta em áreas prioritárias, como inovação tecnológica, desenvolvimento de vacinas, vigilância em saúde, controle de vetores, formação de profissionais e assistência farmacêutica. Prevê também intercâmbio de experiências e fortalecimento das capacidades nacionais em saúde pública.


“Brasil e México compartilham o compromisso de fortalecer sistemas públicos universais, baseados na equidade e no acesso. O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma experiência concreta de inclusão e pode contribuir com o processo de transformação do sistema mexicano, ao mesmo tempo em que avançamos juntos em inovação, produção de medicamentos e resposta a desafios sanitários comuns”, afirmou Padilha.


O secretário de Saúde do México ressaltou o interesse em aprofundar a cooperação bilateral e destacou o SUS como modelo relevante. “O México vê no SUS uma inspiração importante para avançar na construção de um sistema mais integrado e acessível. Queremos desenvolver ações conjuntas com o Brasil, especialmente nas áreas farmacêutica, de vacinas e inovação, fortalecendo nossas capacidades e garantindo mais acesso à saúde para nossas populações”, declarou.


Um dos pontos centrais da cooperação é o compartilhamento da experiência brasileira com o SUS, que inspira o México na construção de um modelo mais integrado e universal de saúde. O governo mexicano trabalha para permitir que qualquer cidadão possa acessar serviços em diferentes instituições públicas, independentemente do vínculo com a seguridade social.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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