Mandetta: Bolsonaro influenciou para 100 mil mortes


Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro (Agência Brasil)

Para o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro foi preponderante para o Brasil atingir a marca de 100 mil mortos por Covid-19. Mandetta fez uma revelação surpreendente, ao afirmar que o presidente queria que o governo federal não se envolvesse no combate à pandemia e deixasse para os prefeitos e governadores, contraditoriamente ao que Bolsonaro sempre disse sobre os governos que atuam desde o início para minimizar os efeitos da pandemia.

"O presidente jogou a toalha do combate à pandemia logo no começo. Expus para ele todos os números de cada cenário. Ele tomou a decisão de não fazer o isolamento. Ele queria que o governo federal saísse do combate à pandemia e fosse deixado só com prefeitos e governadores", afirmou Mandetta.

O ex-ministro afirma ter levado os números apenas para o presidente e não ter reportado os dados publicamento para evitar que fossem tomados como algo dado, contra a qual não valeria a sociedade lutar.

Ele também diz que a opção defendida pelo governo, de isolamento vertical, seria uma “carnificina”.

"A opção que o governo queria, a quarentena vertical, seria uma carnificina. Existiam três opções: a que propus, o isolamento total, a que o presidente queria, a quarentena vertical, e o meio do caminho, que foi o que está acontecendo, de fechar algumas coisas e ir flexibilizando. isso prolonga a pandemia muito mais o que deveria", disse.

Padilha: muitas mortes eram evitáveis

Para o ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff, deputado federal (PT) Alexandre Padilha, o posicionamento do governo federal diante da pandemia reflete essa marca de 100 mil mortos pela Covid-19. "Dentre essas 100 mil mortes, com certeza muitas eram evitáveis", destacou Padilha, que criticou também a disseminação de fakenews. Para ele, novas mortes poderiam ser evitadas com a unificação do discurso e o acesso à informação. "Infelizmente, isso não vai acontecer por parte do governo federal, com essa postura do presidente da República e a postura da ocupação militar no Ministério da Saúde", disse.

O ex-ministro destacou que é "urgente" a necessidade da criação de uma autoridade sanitária no país, e afirmou que "não dá para enfrentar uma pandemia como essa sem criar uma grande rede de testagem".

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