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Mandetta diz que governo quis mudar bula da cloroquina


Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, presta depoimento na CPI da Covid (Jefferson Rudy/Agência Senado)

O depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta nesta terça-feira na CPI da Covid teve informações consideradas relevantes pelos membros da CPI sobre o que ocorreu no início da pandemia do coronavírus no Brasil. Entre os pontos que mais chamaram atenção, Mandetta disse que viu papel com um decreto para mudar a bula da cloroquina com indicação para tratamento de pacientes da Covid-19. Além de mostrar que o presidente Jair Bolsonaro "divergiu das orientações científicas, no isolamento e na cloroquina", o depoimento do ex-ministro jogou luz também na participação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) em reuniões ministeriais, o que gera dúvida sobre a sua influência nas ações de governo, segundo o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

Durante o depoimento, Mandetta disse que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para Covid-19. Segundo Mandetta, o próprio diretor-geral da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discordou dessa medida

Primeiro titular da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, Mandetta esteve à frente do ministério entre janeiro de 2019 e abril de 2020.

Mandetta afirmou que todas as orientações dadas em sua gestão do ministério sobre a pandemia foram "assertivas e pautadas na ciência, ainda que algumas pessoas não tenham compreendido".

O ex-ministro falou também sobre as falsas orientações que surgiram no início da pandemia sobre cidades com temperaturas mais altas, como Manaus e Cuiabá, estarem livre de ser foco de números exponenciais de contaminação por conta do clima.

Mandetta afirmou que houve divergências entre ele o presidente Jair Bolsonaro sobre a condução do enfrentamento da pandemia.

Ao ser perguntado pelo relator, Mandetta afirmou que todas as recomendações que fez durante a sua gestão no Ministério da Saúde foram baseadas na "ciência, na vida e na proteção".

"Fiz em público todas as manifestações de orientação dos boletins, as fiz nos conselhos de ministros, as fiz diretamente ao presidente, as fiz diretamente a todos os secretários estaduais, a todos os secretários municipais, a todos aqueles que de alguma maneira tinham no seu escopo que se manifestar sobre o assunto sempre", declarou o ex-ministro da Saúde.

Cloroquina

Em relação ao uso de cloroquina, medicamento propagandeado pelo presidente Jair Bolsonaro contra a doença, Mandetta revelou ter tido uma reunião no Palácio do Planalto para avaliar um decreto presidencial que incluiria na bula do remédio a recomendação para tratar a Covid-19.

"Vi um papel, mas sem papel timbrado, sem nada, à frente de todos na reunião, que era uma sugestão de minuta", revelou Mandetta, acrescentando que ."alguém teve essa ideia, mas não saberia dizer quem teve".

Sobre sua avaliação quanto ao uso da cloroquina para pacientes com Covid-19, o ex-ministro respondeu: "Não, apenas para uso compassivo, inclusive após falar com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Uso em pacientes graves, e a margem da segurança dela é estreita", disse.

Influência dos filhos do presidente

Outro ponto de destaque do depoimento do ex-ministro foi em relação à influência sobre a tomada de decisões do presidente Bolsonaro na condução das ações do governo para o combate à pandemia. Mandetta foi categórico ao afirmar que o presidente foi "aconselhado" pelos filhos.

"Várias vezes na reunião do ministério, o filho do presidente, que é vereador no Rio de Janeiro, estava sentado atrás, tomando as notas na reunião. Eles tinham constantemente reuniões com esses grupos dentro da presidência", confidenciou Mandetta.

Relação com Bolsonaro e 'kit COVID'

Questionado sobre sua relação com o presidente da República, ele explicou que o distanciamento entre os dois começou devido às "más notícias" levadas pelo ex-ministro sobre os cenários futuros do Brasil durante a pandemia. Mandetta afirmou que se sentia no dever de dar "alertas sistemáticos, inclusive com projeções", como o número de mortes, para que Bolsonaro soubesse como o país iria atravessar a crise.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) perguntou ao ex-ministro sobre um possível erro ao ser opositor ao uso dos medicamentos do "kit Covid" para o "tratamento precoce" da Covid-19, ao que ele respondeu: "Sou pautado pelo estudo e pela ciência".

"Eu jamais, na minha vida, tomei decisões sem estudar. E a gente, quando estuda, principalmente em uma situação como essa que não tem doença determinada, tem que acreditar na base do seu estudo", declarou o ex-ministro.

A CPI da Covid-19 deu início às oitivas, nesta terça-feira (4), com o depoimento de Mandetta. De acordo com a programação da comissão, o também ex-ministro da Saúde Nelson Teich será ouvido pelos senadores sobre as medidas que foram adotadas em sua gestão para conter o avanço da pandemia no Brasil.


Com a Sputnik

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