Manifestações como a de Niterói podem ter ajudado a contaminar mais de 5 mil PMs

Policiais podem representar 23,7% das vítimas de coronavírus no estado


Durante a detenção na manhã de domingo, em Niterói, PMs ficaram a poucos centímetros do infrator, sem máscara

Na manhã deste domingo (17), o líder de uma manifestação contra o isolamento social que se preparava para sair em carreata pelas ruas de Niterói teve que ser dominado e conduzido à força para dentro de uma viatura por um grupo de policiais militares por resistir à ordem de prisão. Apesar do uso da força, ele não sofreu violência, enquanto os PMs que o detiveram podem ter sido expostos ao coronavírus, pois o homem que infringiu as ordens das autoridades sanitárias não usava máscara e vociferava de forma alucinada (veja o vídeo ao final da matéria) a poucos centímetros de distância deles. Situações como essa e o contato permanente com boa parte da população que não tem acatado as instruções para permanecerem em casa são responsáveis por um número alarmante: 5.281 policiais militares já foram afastados do serviço, sendo que 14 deles vieram a morrer pela covid-19. Isso só compete com os últimos números de médicos e enfermeiros vitimados até agora no estado (2.209 em 30 de abril) e representa 23,7% do total de 22.238 casos confirmados de infecção informados no sábado (16) pela secretaria estadual de Saúde. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, no momento existem 1.999 policiais afastados para tratamento de saúde com suspeita de coronavírus, enquanto outros 3.268 já se recuperaram da doença. A frieza dos números não mostra o drama de cada um desses 5.281 agentes, que podem involuntariamente ter levado o vírus para dentro de casa e contaminado pessoas queridas na família. Assim como médicos e enfermeiros, o patrulhamento ostensivo está na linha de frente do combate à epidemia, ajudando a conter a explosão da doença ao fazer cumprir as normas de distanciamento social, que muitos ainda tentam irresponsavelmente romper e desacatar. Os negacionistas, que tentam burlar as orientações das autoridades sanitárias e sabotar as estratégias de controle epidemiológico mantidas por estados e municípios, fazem questão de não usar equipamentos de proteção e, com isso, colocar em risco a vida de quem se coloca à frente deles. Os policiais militares, assim como os guardas municipais - cujas baixas, se somadas, podem elevar ainda mais o número de agentes da lei infectados pela covid-19 -, precisam se colocar à frente, usando o próprio corpo como escudo, principalmente em manifestações como a da manhã deste domingo, e muitas vezes até entrar em contato corporal com os infratores, como foi o caso que ocorreu em Charitas, Niterói. O cidadão detido, Douglas Gomes, apoiador do presidente Jair Bolsonaro e candidato declarado a vereador, é reincidente. Ele já havia liderado uma manifestação em frente à prefeitura de Niterói, quando foi autuado e condenado pela Justiça a pagar multa de R$ 50 mil. A manifestação deste domingo também havia sido proibida por ordem judicial, a pedido do Ministério Público, mas ele insistiu em desacatar a determinação e teve que ser contido e detido pelos PMs. Estes também são reincidentes, mas no cumprimento da missão de impedir que alguns poucos levem o vírus para toda população e por isso têm pago um alto preço, às vezes com a própria vida.


Assista ao vídeo da prisão deste domingo, em Niterói:



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