'Marighela', de Wagner Moura, já é o mais visto do ano


Foto do filme 'Marighela' (Divulgação)

Lançado no Brasil há apenas uma semana - e já atacado por haters bolsonaristas -, o filme "Marighela", de Wagner Moura, já é o filme brasileiro mais assistido de 2021, segundo dados divulgados pela Comscore. O longa-metragem, que conta a história do guerrilheiro e escritor Carlos Marighella (1911-1969), que lutou contra a ditadura militar no Brasil na década de 70, levou quase 100 mil pessoas aos cinemas entre a pré-estreia e domingo (7) e arrecadou R$ 1,98 milhão, estabelecendo-se como a melhor bilheteria de uma estreia nacional do ano.

Logo nas sessões de pré-estreia, nos dias 1º, 2 e 3 de novembro, o filme alcançou 26,3 mil espectadores. Na estreia oficial, na quinta-feira (4), foram 10,4 mil. No ranking geral de público, incluindo filmes estrangeiros, "Marighela" ficou em 2º lugar - em primeiro, ficou “Eternos”, novo filme da Marvel.

Ataques bolsonaristas

Com o cantor e ator Seu Jorge no papel-título e o ator Wagner Moura estreando na direção, o filme tem sido alvo constante de haters (odiadores) bolsonaristas.

Os ataques ocorrem pelo próprio personagem-título do filme e desde que o longa-metragem estreou no Festival de Berlim, em fevereiro de 2019, quando Moura atravessou o tapete vermelho do Palácio do Festival levando nas mãos uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018 - e ainda sem indiciamento do mandante. Na época, em entrevistas, Moura fez declarações sobre a estreia, acompanhadas de considerações sobre Jair Bolsonaro. Em uma delas, ele dizia que o presidente veio do esgoto da história; em outra, chamava-o de psicopata.

Naquela ocasião, André Porciúncula, o secretário hoje responsável pela gestão dos recursos da Lei Rouanet, escreveu nas redes sociais: “O sujeito que fez um filme glorificando um criminoso terrorista, que ensinava (sic) explodir escolas e hospitais, está falando sobre o esgoto da história?”. Depois de repostar o comentário do subordinado, o secretário nacional de Cultura, Marcelo Frias, emendou: “Psicopata é quem faz filme idolatrando um terrorista abominável. Achou que ia pegar comigo verba pública para este lixo panfletário? Pede para sair, moleque!”

Os comentários acabaram por reforçar a tese de que o filme foi vítima de “censura” dentro do governo.

Os haters passaram então a entrar no Internet Movie Database (IMDb), principal site do mundo para informações e comentários sobre filmes, para avaliar mal "Marighela", mesmo sem tê-lo assistido, e baixar sua nota geral. Àquela altura, o portal suspendeu as avaliações do filme.

No dia 25 de outubro, antes da estreia em telas brasileiras, voltou a acontecer a mesma coisa. Nesta data, "Marighela" já contava com mais de 33 mil avaliações (73% do total) com nota 1. A ação fez com que o filme ficasse com nota 3,6 de 10,0.

Nos dias seguintes (26 e 27), no entanto, a nota do filme aumentou significativamente e foi para 6,5. No portal IMDb, abaixo do número, aparecia a mensagem: “nosso mecanismo de avaliação detectou atividade de avaliação incomum para este título”. “Para preservar a confiabilidade do nosso sistema de avaliação, um cálculo alternativo de notas foi aplicado.”

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