Mentiras de Bolsonaro a embaixadores repercutem no mundo


(Reprodução)

Não podia ter sido pior para a imagem doo Brasil e também para o próprio futuro político do presidente Jair Bolsonaro (PL) a repercussão internacional da apresentação que ele promoveu para embaixadores estrangeiros segunda-feira no Palácio da Alvorada, quando atacou com mentiras e acusações sem provas o sistema eleitoral brasileiro. O tom das manchetes foram no mesmo nível do estadunidense Washington Post, afirmando que "Bolsonaro se reúne com embaixadores para semear dúvidas sobre eleição" e do britânico The Guardian, afirmando que “chamou diplomatas estrangeiros ao palácio presidencial e fez alegações infundadas sobre a integridade das próximas eleições”. Ou ainda na reportagem do New York Times, dizendo que Bolsonaro engana os brasileiros e parece seguir o ex-presidente Trump, que insuflou seus seguidores com críticas ao sistema eleitoral do país - o que acabou resultando na invasão do Capitólio e na tragédia com cinco mortos. “Assim como Trump, Bolsonaro parece estar desacreditando a votação antes que ela aconteça, em um suposto esforço para aumentar a confiabilidade e a transparência”.

Na mesma linha do NYT, a agência de notícias France Press destacou que as pesquisas apontam para uma derrota eleitoral de Bolsonaro e que as declarações feitas durante a reunião com embaixadores indicam que ele pode se recusar a entregar o cargo e criar um "cenário semelhante ao da invasão do Capitólio dos EUA, em janeiro de 2021, por apoiadores de Donald Trump, um herói de Bolsonaro".

A agência de notícias Bloomberg ressaltou que Bolsonaro fez uso de “velhas e refutadas teorias da conspiração”. “Bolsonaro, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todas as pesquisas de opinião, repetidamente questionou a confiabilidade do sistema de votação eletrônica do Brasil, até mesmo alegando sem provas que sua eleição de 2018 foi fraudada e que ele deveria ter vencido no primeiro turno”.

Segundo o Globo, que o ouviu alguns dos embaixadores que estiveram no Palácio da Alvorada, eles devem reportar aos governos de seus países que Bolsonaro não apresentou qualquer prova sobre suas alegações de que as urnas eletrônicas são passíveis de fraude.

Um dos embaixadores disse que Bolsonaro ameaça a democracia e insiste em "teorias da conspiração". Outro, em entrevista ao Estadão, disse que a reunião se tratou de um "ato de campanha". Outro classificou a apresentação de Power Point exibida pelo presidente como "amadora".

Críticas de presidenciáveis

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os demais pré-candidatos à Presidência da República repudiaram as declarações de Bolsonaro aos diplomatas estrangeiros.

"É uma pena que o Brasil não tenha um presidente que chame 50 embaixadores para falar sobre algo que interesse ao país. Emprego, desenvolvimento ou combate à fome, por exemplo. Ao invés disso, conta mentiras contra nossa democracia", escreveu Lula, no Twitter.

Além de Lula, os pré-candidatos Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB) e André Janones (Avante) também lamentaram as falas de Bolsonaro no evento.

Em nota, Ciro afirmou que "nunca, em toda a história moderna, o presidente de um importante país democrático convocou o corpo diplomático para proferir ameaças contra a democracia e desfilar mentiras tentando atingir o Poder Judiciário e o sistema eleitoral".

Já Tebet disse que o Brasil "passa vergonha diante do mundo" e reforçou sua confiança na Justiça Eleitoral e no sistema de votação por urnas eletrônicas. "Paz nas eleições também é declarar confiança no nosso sistema eleitoral", declarou.

Janones, por sua vez, ironizou a fala do presidente, afirmando que apenas João Amoedo (Novo), candidato à Presidência em 2018, teria o direito de questionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com relação a fraudes. Em referência ao suposto arrependimento dos eleitores que votaram em Bolsonaro, ele disse que "todo mundo jura por Deus que votou nele [Amoedo] no primeiro turno" de 2018. "Bolsonaro precisa ser demovido do cargo e jogado na lata de lixo da história", afirmou o pré-candidato do Avante.

"Eu sou acusado o tempo todo de querer dar o golpe, mas estou questionando antes, porque temos tempo ainda de resolver esse problema", disse Bolsonaro aos embaixadores, ao apresentar PowerPoint com desconfianças e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o evento.

Os principais alvos de Bolsonaro em seu discurso foram os ministros Edson Fachin, atual presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que assume o posto em agosto, e o ex-presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.

O presidente disse que apenas dois países do mundo usam um sistema eleitoral semelhante ao brasileiro. Porém, segundo o TSE, o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Social (IDEA Internacional) mapeou 23 países que usam urnas com tecnologia eletrônica para eleições gerais, sendo que 18 adotam o modelo em eleições regionais.

O TSE já informou que entre esses países estão "o Canadá, a Índia e a França, além dos Estados Unidos, que têm urnas eletrônicas em alguns estados".

No evento, Bolsonaro afirmou ainda que a desconfiança dos brasileiros com o sistema eleitoral estariam crescendo, classificando o modelo como "completamente vulnerável". Contudo, em maio deste ano, o instituto Datafolha divulgou uma pesquisa que apontou que 73% dos brasileiros apoiam o uso das urnas nas eleições.


Com informações da Sputnik

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