Militares dos EUA atiram em civis no aeroporto de Cabul


(Reprodução)

Nesta segunda-feira (16), ao menos três pessoas morreram após militares norte-americanos, que controlam o aeroporto internacional de Cabul para ajudar na evacuação de funcionários das embaixadas e outros civis, abrirem fogo contra a multidão que estava no terminal de passageiros tentando sair do Afeganistão, segundo o jornal Wall Street Journal.

"Ao menos três pessoas foram mortas na manhã desta segunda-feira no terminal de passageiros do aeroporto internacional de Cabul", informou o jornal.

Um funcionário norte-americano afirmou à Reuters que as forças dos EUA no aeroporto de Cabul realizaram disparos de advertência para evitar que centenas de civis invadissem a pista de pouso e decolagem para embarcar nos voos militares.

"A multidão estava fora de controle. Os disparos apenas evitaram o caos", afirmou.

O Pentágono confirmou que as forças norte-americanas mataram duas pessoas no aeroporto de Cabul e que um militar dos EUA ficou ferido em dois incidentes de segurança separados.

De acordo com a emissora Al-Jazeera, o aeroporto de Cabul se tornou caótico devido aos intensos voos de helicópteros que estão retirando os funcionários das missões diplomáticas e à grande concentração de "civis, que estão tentando fugir do Talibã". As pessoas estão aglomeradas na entrada do único aeroporto da capital.

Há versão não confirmada de outras duas pessoas caindo de um avião militar americano após se esconderam na roda ou nas asas da aeronave.

"Outro momento de Saigon [Vietnã]: cenas caóticas no Aeroporto Internacional de Cabul. Sem segurança. Nenhuma."


Antes da chegada dos talibãs a Cabul no domingo, um grande número de pessoas começou a abandonar o país e o aeroporto da capital se tornou um cenário de caos e tumultos. O presidente Ashraf Ghani foi um dos primeiros a fugir do país, segundo ele, para evitar um "banho de sangue".

Horas antes do caos se instalar no aeroporto, o Talibã afirmou que a "guerra chegou ao fim" e que seus soldados receberam ordens para não atirar ou atacar ninguém. Em rede social, o porta-voz dos combatentes radicais, Suhail Shaheen, disse que "a vida, a propriedade e a honra de ninguém deve ser prejudicada, mas sim protegida".

Os americanos estavam às vésperas de concluir a retirada das forças dos EUA e de seus aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), prevista para 31 de agosto, quando os combatentes radicais adentraram a capital afegã sem nenhuma resistência.

O Estado Islâmico, que comandava o país, foi derrubado do poder na invasão pelos Estados Unidos em 2001.

ONU pede respeito aos direitos humanos

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exortou o Talibã e outros envolvidos no conflito no Afeganistão a respeitarem o direito internacional humanitário.

"O secretário-geral está acompanhando com grande preocupação o rápido desenvolvimento da situação no Afeganistão [...]. Ele apela ao Talibã e às outras partes para que garantam o respeito e a proteção do direito internacional humanitário e dos direitos e liberdades de todas as mulheres", diz Guterres em comunicado, reproduzido pela agência Reuters.


Com a Sputnik

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