Militares e civis condenam bravatas de Bolsonaro
- 24 de abr. de 2021
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"Pacto com a morte", "insanidades", "rebaixamento das Forças Armadas". Estas foram algumas das expressões usadas por governadores e parlamentares ao criticarem neste sábado (24) as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre considerar a hipótese de as Forças Armadas irem às ruas para garantir a ordem caso a política de medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores contra a Covid-19 promova o que ele chamou de "caos".
Para integrantes da cúpula militar ouvidos pela Folha de S. Paulo, a declaração é vista como bravata do presidente e que Bolsonaro confunde conceitos e usa sua posição de forma política para pressionar adversários.
Durante entrevista ao apresentador bolsonarista Sikêra Júnior, na TV A Crítica, do Amazonas, Bolsonaro afirmou que, se preciso, o Exército será convocado para "restabelecer todo o artigo 5º da Constituição" sobre direitos individuais, como a liberdade religiosa e o de ir e vir.
"A postura demonstra mais uma vez o quanto Bolsonaro tem devoção pelo autoritarismo e alergia a democracia. Ele selou uma pacto com a morte que só não é maior no Brasil por conta da ação de governadores e prefeitos", reagiu o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), citado pelo Globo.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu o aval, desde abril do ano passado, para que governantes adotassem medidas restritivas durante a pandemia e classificou de "absurda" a declaração do presidente.
"Bolsonaro insiste em afrontar o Supremo, que já decidiu que as três esferas de governo podem e devem atuar contra o coronavírus. E também reitera essa absurda ameaça de intervenção militar contra os estados, que não existe na Constituição. Ele deveria se dedicar mais ao trabalho e abandonar essas insanidades", afirmou o governador maranhense.
Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM) cobrou que a imunização está atrasada e que Bolsonaro deve cumprir sua "responsabilidade" no enfrentamento da maior crise da pandemia.
"Se o presidente quer que abra o comércio, só ele vacinar mais rápido. Só ele dar conta do cumprir a responsabilidade dele, que é compra vacina", disse Ramos, também citado pelo jornal.
Já o deputado Alessandro Molon, líder de oposição na Câmara, afirma que desde o início da pandemia o presidente "sabotou as medidas restritivas" e tentou jogar a população e as Forças Armadas contra governadores e prefeitos. Para ele, Bolsonaro é o principal fator para que o "caos se instale no país".
"Mais uma vez, Bolsonaro viola os deveres e limites de seu cargo e afronta a Constituição. Já passou da hora de o Congresso processá-lo por seus crimes de responsabilidade. Enquanto não se fizer isso, ele vai continuar agindo assim", afirmou Molon.
O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) também criticou, em sua rede social: "Mais uma vez o presidente humilha e rebaixa as Forças Armadas ao tratá-las como se fossem uma milícia pessoal a seu serviço na guerra declarada contra adversários políticos do governo", escreveu.









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