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Militares já contam com expulsão de Mauro Cid do Exército


(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Nos bastidores do Exército, é dado como certo que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e um dos principais ex-assessores de Jair Bolsonaro, "vai pro barro", gíria usada por um oficial que comentou a situação e significa que o militar será punido com exclusão da corporação e perderá sua patente caso condenado na Justiça comum.


Militares da ativa e da reserva ouvidos pela Folha de São Paulo sob condição de anonimato descreveram como inevitável a expulsão de Cid da força.


Segundo um oficial superior, a avaliação corrente entre seus colegas é a de que o tenente-coronel teria se perdido no personagem e extrapolado suas funções como ajudante de ordens.


O tenente-coronel estaria, na definição desse oficial, no "contra-azimute" – outra expressão muito usada pelos militares. Azimute é a marcação da bússola que aponta o sentido correto da navegação.


Por uma decisão do Comando do Exército, a eventual perda de patente e expulsão de Cid só pode ocorrer depois que se esgotarem os processos contra eles na Justiça comum. O ex-ajudante não responde a inquéritos militares.


Em caso de condenação, Cid passaria por uma espécie de tribunal militar de primeira instância chamado Conselho de Justificação, que avaliará se ele procedeu incorretamente no desempenho do cargo, teve conduta irregular ou praticou atos que afetassem "a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe". Se condenado nessa instância, a sentença ainda é submetida ao Superior Tribunal Militar (STM), informa a mídia.


A defesa de Cid argumenta que tanto o Código Penal quanto o Código Penal Militar livram de culpa quem cometeu delitos por obediência a superior hierárquico. No entanto, um parágrafo do mesmo artigo do Código Penal Militar, afirma que "se a ordem do superior tem por objeto a prática de ato manifestamente criminoso, ou há excesso nos atos ou na forma da execução, é punível também o inferior".


Relação 'hostil' com Michelle

Mas não só os militares que acreditam que Cid extrapolou suas funções como ajudante de ordens, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também achava que o ex-ajudante estava muito próximo das ações de Bolsonaro e, segundo o Globo, o clima entre os dois "era sempre tenso".


"A relação entre ambos, que sempre foi ruim, chegou à pior fase. A portas fechadas, Michelle coloca em Cid a culpa da crise das joias e de grande parte do inferno astral da família com a Polícia Federal", relata a mídia.


Ainda segundo o jornal, Michelle sempre deixou claro que não gostava de Cid e nunca se dirigia a ele. Questionados pelo motivo, três ex-integrantes do governo passado limitaram-se a dizer que ela tem um "temperamento difícil" e que "é fechada".


Entretanto, a antipatia de Michelle por Cid não fez com que ela o afastasse de atividades cotidianas, como o pagamento de suas contas. Mensagens obtidas pela PF mostram que o ex-ajudante de ordens fazia e orientava a quitação de despesas da ex-primeira-dama, inclusive com dinheiro vivo.


Até mesmo seu novo advogado (o terceiro contratado para o caso), o criminalista Cezar Bitencourt, disse que "Cid fazia compras para a primeira-dama. Parece que tinha uma conta dela que o Cid fazia pagamentos. Tem um certo abuso no atendimento do assessor, que não era pra essas coisas", emendou Bitencourt.


Mauro Cid está preso desde 3 de maio sobre acusação de participar de esquema de fraude de cartões de vacinação contra covid-19 de Bolsonaro, familiares e aliados. Posteriormente, o ex-ajudante de ordens começou a ser investigado por presentes recebidos em viagens oficiais do ex-presidente e vendidos no exterior. Nessa sexta-feira, o advogado de Mauro Cid disse que o ex-presidente pediu ao seu cliente para "resolver o problema do Rolex e que o dinheiro da venda do relógio de luxo cravejado de diamantes foi entregue a Bolsonaro ou para a ex-primeira-dama, Michelle.

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