Ministro contraria Bolsonaro sobre preço da gasolina


(Foto: Petrobrás)

Um dia depois da renúncia de José Mauro Coelho da presidência da Petrobrás, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, disse nesta terça-feira (21) que não é possível interferir no preço dos combustíveis da estatal. A declaração foi dada em audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; de Finanças e Tributação; de Minas e Energia; e de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados.

A fala do ministro de que o governo não pode controlar preços de combustíveis e há marcos legais que impedem a interferência na Petrobrás, mesmo o governo sendo acionista majoritário, contraria declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre mudança na direção da companhia para frear a exorbitância dos preços praticados em seu governo. Coelho foi o terceiro presidente a cair na gestão de Bolsonaro. Na sexta-feira (19), foi efetivado um novo reajuste de 14,26% no diesel e de 5,18% na gasolina.

Sachsida ressaltou que os preços praticados são uma decisão da empresa. “Não está no controle do governo. E, honestamente, preço é uma decisão da empresa, não do governo. Além disso, nós temos marcos legais que impedem a intervenção do governo numa empresa, mesmo o governo sendo acionista majoritário”, disse.

Dentre esses marcos legais está a política de preços de paridade de importação - o PPI, implantado por Michel Temer após o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, e mantido por Bolsonaro -, baseado nas oscilações do dólar e do valor do petróleo no mercado internacional, hoje amplamente favoráveis à lucratividade da Petrobrás.

O ministro também apresentou números que confirmam que a Petrobrás teve lucro líquido bem acima das petroleiras estrangeiras no primeiro trimestre, e que está pagando muito mais dividendos em relação a outras companhias do mundo. Embora ocupe o sexto lugar em produção no mundo, a estatal brasileira é a terceira em lucro, ficando claro quem patrocina grande parte desses dividendos distribuídos aos acionistas - União e acionistas privados, em grande parte estrangeiros - nos postos de combustíveis.

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