Ministro pede investigação da PF e da Abin sobre apagão no país
- Da Redação

- 15 de ago. de 2023
- 3 min de leitura

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (15) que a interrupção no fornecimento de energia elétrica registrada pela manhã em todas as regiões do país foi um evento extremamente raro. Por isso, além das apurações internas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi solicitado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investiguem com detalhes as causas da falta de energia.
“Tenho absoluta convicção de que o ONS, até pela sua característica técnica, não vai ter condição de dizer textualmente se esses eventos foram eminentemente técnicos, ou se houve também falha humana ou até dolo”, disse o ministro, lembrando que o setor é altamente estratégico, sensível e fundamental para a sociedade brasileira.
O governo já sabe que houve na manhã desta terça uma sobrecarga em uma linha de transmissão de energia no Ceará, o que fez com o que o sistema entrasse em colapso nas regiões Norte e Nordeste. Quando isso ocorreu, o ONS modulou a carga que estava sendo enviada para o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, como forma de proteção, o que fez com que a energia fosse reduzida nessas regiões. Houve pelo menos 16 mil megawatts (MW) de interrupção de energia.
Alexandre Silveira, que estava no Paraguai em agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retornou ao Brasil para acompanhar de perto, na sala de situação, a recomposição da carga de energia do país.
Em entrevista coletiva à imprensa, o ministro afirmou que o que ocorreu foi causado por dois eventos: um no Ceará e outro ainda não identificado. Citando os casos de ataques a torres de transmissão de energia elétrica em janeiro deste ano, Silveira citou a possibilidade de dolo e, por isso, disse, irá acionar a Polícia Federal e a Abin para abrir investigações.
"Eu estou, além de determinar as apurações internas, estou oficiando o MInistério da Justiça para que seja encaminhada à Polícia Federal o pedido de instalação de um inquérito para que apure com detalhes o que poderia ter ocorrido."
O ministro destacou ainda que o ocorrido nesta terça-feira "não tem nada a ver com o suprimento energético e a segurança energética do Brasil".
“Vivemos um momento de abundância nos reservatórios”, destacou Silveira, lembrando que recentemente o Brasil exportou energia para a Argentina quando os reservatórios de Itaipu e Furnas estavam vertendo água.
Segundo Silveira, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a energia voltou cerca de uma hora depois da interrupção e, no Norte e no Nordeste, o fornecimento foi completamente restabelecido às 14h49.
A queda de energia atingiu 25 estados e o Distrito Federal. O único estado que não foi afetado foi Roraima, que não é integrado ao Sistema Interligado Nacional. Cerca de 27 milhões de pessoas foram atingidas, o que representa um terço dos consumidores brasileiros.
Segundo o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, a resposta do Ministério de Minas e Energia foi rápida e efetiva. “Eu fiquei sabendo logo em seguida, às 8h30 da manhã, e as providências foram tomadas rapidamente”, disse.
De acordo com o ONS, uma "ocorrência" às 8h31 levou a uma "separação elétrica" no sistema interligado.
Na prática, é como se as regiões Norte e Nordeste do país tivessem se desconectado das regiões Sul e Sudeste. O apagão causou transtornos em diversas cidades, como desligamento de semáforos, paralisação de metrô e interrupção de aulas em escolas.
Críticas à privatização da Eletrobras
O ministro Alexandre Silveira voltou a criticar a privatização da Eletrobras e disse que a venda da estatal fez mal ao sistema e ao Brasil, mas não vinculou o apagão à privatização. "Eu seria leviano de apontar que há uma causa direta (do apagão) com a privatização da Eletrobras."
"Todos sabem meu posicionamento sobre a privatização da Eletrobras. Um setor estratégico para a segurança do país, inclusive para segurança alimentar, como o setor elétrico de um país, em especial com a dimensão territorial que é o Brasil. Deveria se ter uma função estatal ou portanto a minha posição é de que a privatização da Eletrobras fez muito mal ao Brasil. A Eletrobras foi privatizada em 2022, às vésperas de uma eleição. É um quadro que gera instabilidade para o setor elétrico nacional. Sou crítico um setor tão estratégico estar completamente privatizado. Como isto é infelizmente é um fato, é importante ter sinergia, uma relação próxima. Não tivemos sequer a solidariedade da Eletrobras neste sentido, mas vamos levar a cabo as apurações do ponto de visto técnico para o melhor diagnóstico", disse Silveira..
Com informações da Agência Brasil










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