Polícia promove nova matança no Rio, agora no Alemão


Helicóptero da polícia sobrevoa o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio (Reprodução)

De acordo com a Ouvidoria da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, ao menos 20 pessoas morreram nesta quinta-feira, 21, durante uma operação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Já o porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Ivan Blaz, informou que a ação resultou em 18 mortes, sendo 16 suspeitos, uma moradora e um PM. A operação envolveu equipes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PM e da Core (Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais) da Polícia Civil.

A matança no Complexo do Alemão ocorre um ano e dois meses depois da chacina do Jacarezinho, também na Zona Norte da cidade, durante operação mais letal ocorrida no estado que resultou em 28 pessoas mortas, sendo 1 policial civil. Até o fim do mês passado, apenas um homicídio relacionado à operação da Polícia Civil, com participação de agentes da Polícia Rodoviária Federal, havia virado denúncia do Ministério Público, segundo o ouvidor-geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Guilherme Pimentel.

A moradora identificada como Letícia Marinho Salles, 50 anos, morreu em consequência do confronto. Segundo parentes que a acompanhavam, o carro em que estavam foi alvejado por um policial. No momento do disparo, o veículo estava parado em um sinal de trânsito após terem saído da comunidade.

O namorado Denilson relatou, que depois de atingida, Letícia se curvou na direção dele que estava ao seu lado. Jaime Eduardo, primo de Denílson, foi ferido de raspão no pescoço. A família levou Letícia para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, mas ela não resistiu e morreu.

“Deram um tiro em uma mulher trabalhadora que está morta por um despreparo policial”, disse Jaime Eduardo em um vídeo publicado nas redes sociais do jornal comunitário Voz das Comunidades.

“E agora o que vai falar para a família que está lá dentro chorando? O que vou falar para a filha que está lá chorando? O que vou dizer para o neto que está lá chorando?", completou Jaime.

O porta-voz da PM informou que o caso está sendo apurado pela Delegacia de Homicídios. “A PM vai contribuir em tudo que for necessário para elucidar este caso”, disse à Agência Brasil.

A princípio, foi divulgado que além da moradora, dois suspeitos e um policial militar haviam morrido na operação na comunidade. Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar lamentou a morte do cabo Bruno de Paula Costa ocorrida na manhã de hoje.

“O policial militar estava trabalhando e ficou ferido quando a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília foi atacada por criminosos em retaliação à operação que acontece no Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Ele foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, no entanto, não resistiu ao ferimento” informou.

Segundo a secretaria, o cabo tinha 38 anos de idade e ingressou na corporação em 2014. Bruno de Paula era casado e deixou dois filhos portadores do espectro autista. “Até o momento, não temos confirmação de horário e local do sepultamento”.

Em protesto à operação, vários motoqueiros fizeram uma manifestação em uma das entradas do Conjunto de Favelas do Alemão. A passagem deles foi barrada por policiais armados.

Novos números

Mais tarde, durante esta quinta-feira, a Ouvidoria da Defensoria Pública afirmou que levantou o número de mortos junto à direção da UPA do Alemão, onde chegaram 15 corpos, e da equipe de assistência social do Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde chegaram outros 5 corpos.

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