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Moraes chama plano golpista de Bolsonaro de 'operação Tabajara'


(Foto: Nelson Jr/SCO/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se manifestou pela primeira vez desde a divulgação do plano envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para gravá-lo e com isso possibilitar a anulação da eleição para continuar no poder. Em Lisboa, onde participa de uma conferência, Moraes afirmou que a investida foi "uma tentativa de operação Tabajara", e que "mostra exatamente o quão ridículo chegamos a uma tentativa de um golpe no Brasil".


"A ideia genial que tiveram foi colocar uma escuta no senador para que o senador – que não tem nenhuma intimidade comigo, conversei três vezes na vida com ele – pudesse me gravar e, a partir dessa gravação, solicitar a minha retirada da presidência do TSE. […] Uma tentativa de operação Tabajara, que mostra exatamente o quão ridículo chegamos a uma tentativa de um golpe no Brasil", declarou.


Moraes afirmou que o senador Marcos do Val (Podemos-ES) não quis formalizar uma denúncia contra o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro.


Quinta-feira (2), do Val declarou ter participado de uma reunião com Silveira e Bolsonaro no Palácio do Planalto no dia 9 de dezembro, na qual o ex-deputado bolsonarista propôs que o senador gravasse uma conversa com Moraes que pudesse comprometê-lo para tentar dar um golpe de Estado.


"Eu indaguei ao senador se ele reafirmaria isso e colocaria no papel, que eu tomaria imediatamente o depoimento dele. O senador me disse que isso era uma questão de inteligência e que infelizmente não poderia confirmar. Então eu levantei, me despedi do senador, [e] agradeci a presença – até porque, o que não é oficial, para mim, não existe", acrescentou Moraes citado pela CNN Brasil.


O ministro do Supremo também disse que as investigações prosseguem. "As investigações por parte da Polícia Federal seguirão para que possamos analisar a responsabilidade de todos aqueles que se envolveram na tentativa de golpe".


Em sua versão sobre a reunião golpista, Bolsonaro confirmou para aliados que o encontro entre ele, Silveira (que foi preso também na quinta, por descumprimento de determinações do Supremo) e Marcos do Val realmente aconteceu, mas disse que ficou em silêncio durante o encontro. Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o dia 30 de dezembro. Mas em entrevista à imprensa na quinta, mesmo sem falar sobre a tentativa de golpe, acabou dando sinal de que pode fugir para a Itália, ao afirmar que "pela legislação" ele pode ser considerado "italiano". "Pela legislação, eu sou italiano, eu tenho avós nascidos na Itália, e a legislação de vocês diz que sou italiano", declarou.


Em seu depoimento oficial à Polícia Federal, do Val afirmou que Bolsonaro não manifestou contrariedade quando Silveira o apresentou o plano do golpe, e que terminou a reunião dizendo que aguardaria a resposta do senador sobre a execução da trama.

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