Moraes diz que Judiciário não vai se acovardar com 'milícias digitais'


(Foto: Carlos Moura/STF)

Durante discurso no XXIV Congresso Brasileiro de Magistrados, neste sábado, em Salvador, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moras afirmou que o Judiciário não vai se acovardar diante das agressões à democracia e salientou que a maior ameaça ao processo eleitoral são as "milícias digitais". Em uma de suas falas mais contundentes, o magistrado, que vai ser o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as Eleições 2022, destacou que "a internet deu voz aos imbecis".

"Vamos garantir a democracia no Brasil com eleições limpas, transparentes e por urnas eletrônicas. Em 19 de dezembro, quem ganhar vai ser diplomado nos termos constitucionais, e o Poder Judiciário vai continuar fiscalizando e garantindo a democracia", afirmou.

Ao falar sobre as "milícias digitais", Moraes afirmou que esses grupos produzem conteúdos falsos visando descredibilizar as mídias tradicionais e enfraquecer as instituições democráticas.

"A internet deu voz aos imbecis. Hoje qualquer um se diz especialista, veste terno, gravata, coloca painel falso de livros [no fundo do vídeo] e fala desde a guerra da Ucrânia até o preço da gasolina, além de atacar o Judiciário. Como não dá para atacar o povo, começaram a atacar os instrumentos que garantem a democracia", afirmou o ministro, que garantiu, porém, que o Judiciário não irá se acovardar diante das agressões constantes desses grupos criminosos e que a tarefa de proteger a democracia era também de cada um dos magistrados presentes no evento.

"De quatro em quatro anos tem eleições, e essas milícias digitais sabem disso. O Poder Judiciário não pode e não vai se acovardar perante essas agressões, eu tenho absoluta certeza disso".

Durante o evento, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez uma fala de abertura também com a defesa enfática da democracia e do judiciário.

"É preciso haver um fortalecimento das instituições. Como disse o governador Rui Costa aqui, é inimaginável que chegaríamos em 2022 precisando defender o judiciário e a democracia em tempos de atentados nocivos à sociedade brasileira. Temos que ter coragem para defender o nosso judiciário e queria reafirmar aqui que eu respeito o poder judiciário do meu país", disse o senador, sem citar diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), principal foco dos discursos por seus permanentes ataques ao STF e ao TSE.

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