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Moro vira sócio de empresa que administra quebra da Odebrecht

  • 30 de nov. de 2020
  • 2 min de leitura

Ex-juiz e ex-ministro, Sérgio Moro agora é sócio de consultoria com sede nos EUA (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A consultoria Alvarez & Marsal (A&M), com sede nos Estados Unidos e que administra a recuperação judicial da Odebrecht e OAS, anunciou um novo sócio no Brasil: o ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Com isso, Moro, que como juiz ajudou a quebrar as duas empresas, agora irá trabalhar na gestão do desastre.

Moro é apresentado pela empresa como uma pessoa que "soma mais de 20 anos de experiência jurídica e investigativa, incluindo a atuação como Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil de 2019-2020". A empresa diz também que "como ministro, ele desenvolveu programas especiais para reduzir crimes violentos e proteger as fronteiras do Brasil, além de ser responsável pela elaboração e promulgação de leis federais sobre apreensão e expropriação de bens relacionados ao tráfico de drogas e outras atividades criminosas graves".

Na nota divulgada sobre a contratação do ex-juiz da Lava Jato, que também foi acusado de usar o judiciário para fins políticos, a consultoria diz que "a contratação de Moro está alinhada com o compromisso estratégico da A&M em desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro”.

A empresa informa que Moro será “sócio-diretor, com sede em São Paulo, para atuar na área de Disputas e Investigações”.

'Do outro lado 2'

Em recente reportagem do The Intercept Brasil, o mesmo que divulgou a Vaza Jato - série de reportagens que evidenciaram práticas corruptas do ex-juiz e de procuradores da força-tarefa -, Sérgio Moro ultimamente vinha ganhando dinheiro como advogado, trabalhando para a defesa de um empresário investigado por suspeitas de corromper governantes, lavar dinheiro, sonegar impostos e violar direitos humanos e leis ambientais – e que já foi preso a mando das autoridades da Suíça e de Israel.

O serviço, segundo The Intercept, é uma requisição do israelense Benjamin “Beny” Steinmetz, bilionário da mineração, que foi investigado pelo FBI e é alvo da justiça na Suíça, nos Estados Unidos e em Serra Leoa, na África. Por ordem de Steinmetz, ainda segundo o site, um escritório de advocacia brasileiro pediu o parecer jurídico ao ex-ministro bolsonarista. O parecer de Moro - explica a reportagem - "servirá para orientar a defesa numa disputa igualmente bilionária que o empresário trava em Londres contra a mineradora brasileira Vale".

 
 
 

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