Morre o ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio


(Reprodução)

O ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio morreu nesta sexta-feira (10), aos 81 anos. O socialista deixa como legado um amplo universo de lutas a partir da liderança no movimento estudantil que se levantou contra a ditadura salazarista nos anos 1960 e 1970, assim como em defesa dos presos políticos do regime e por uma visão democrática e socialista de país para Portugal.

Ele estava internado desde dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, com dificuldades respiratórias. O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que haverá três dias de luto nacional, entre sábado e segunda-feira, pela morte de Jorge Sampaio.

O primeiro-ministro destacou o sentido cívico, militância e convicção com que o socialista desempenhou múltiplas funções, desde a liderança do movimento estudantil contra a ditadura, a Presidência da República e o auxílio aos refugiados sírios.

Advogado, Jorge Sampaio foi secretário-geral do Partido Socialista (de 1989 a 1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (de 1990 a 1995) e presidente da República em dois mandatos (de 1996 a 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia a Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por ele em 2013 com o objetivo de contribuir com a emergência acadêmica que o conflito na Síria tinha criado, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

Mensagens

Em mensagem, o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa disse que Sampaio lutou "serenamente" pela "igualdade na liberdade". Lembrou a atuação do antigo chefe de Estado no movimento estudantil no início dos anos 60, na defesa em tribunais dos presos políticos durante a ditadura, na representação externa da democracia e na construção de pontes, década após década, entre "formações diversas no seu hemisfério político e além dele".

Ao anunciar luto oficial de três dias no país, o primeiro-ministro António Costa também destacou o trabalho de Sampaio, desde o papel de liderança no movimento estudantil de 1962 até os últimos anos de vida, com a plataforma internacional para estudantes refugiados.

No Twitter, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, enviou condolências à família do ex-presidente, afirmando que ele será sempre uma "referência para a social-democracia e para os defensores do Estado de direito",

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, destacou o "papel crucial" de Jorge Sampaio na promoção dos direitos humanos e dignidade dos refugiados, elogiando o "homem de princípios".

300x250px.gif
728x90px.gif