Moscou não tem planos de ocupar Ucrânia, diz Rússia na ONU

Atualizado: 1 de mar.


(Sputnik/Ramil Sitdikov)

Nesta segunda-feira (28), o representante permanente da Rússia nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, disse que Moscou não tem planos de "ocupar" a Ucrânia, e que as forças russas não representam nenhuma ameaça aos civis ucranianos ou à infraestrutura civil.

"A ocupação da Ucrânia não faz parte dos nossos planos. O objetivo desta operação especial é proteger as pessoas que foram submetidas a abusos e genocídios pelo regime de Kiev durante oito anos. Para isso, é necessário desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia", afirmou Nebenzya na Assembleia Geral da Nações Unidas.

De acordo com Nebenzya, a operação militar incluiu o exercício do direito de autodefesa de Moscou "contra um regime que procurou restaurar o acesso a armas nucleares".

Quando declara tal fato, o representante se refere às afirmações do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, na Conferência de Segurança de Munique em 19 de fevereiro, na qual ele ameaçou revisar o status não nuclear de Kiev.

"Quero enfatizar o seguinte: a raiz da crise atual está nas ações da própria Ucrânia. Por muitos anos, ela sabotou e desprezou suas obrigações sob o pacote de medidas de Minsk", disse Nebenzya, referindo-se aos Acordos de Minsk de 2015.

Ao longo de suas declarações, o representante explicou que para a situação não ter chegado a uma operação militar especial, era necessário era o diálogo direto, conforme estabelecido no documento entre as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

"Recentemente, muito recentemente, havia a esperança de que Kiev reconsiderasse e cumprisse o que assinou em 2015. Para isso, em primeiro lugar, o que era necessário era o diálogo direto, conforme estabelecido no documento entre Donetsk e Lugansk. A última confirmação da liderança sênior do país foi que a Ucrânia não estava disposta a se engajar nesse diálogo, não estava disposta a tomar medidas para conceder status especial a Donbass, conforme estabelecido nos Acordos de Minsk, e isso foi ativamente apoiado pelos patronos ocidentais de Kiev. Isso definitivamente nos convenceu do fato de que não tínhamos mais o direito de permitir que os moradores de Donbass sofressem mais."

Ao mesmo tempo, Nebenzya disse que "nos esforçaremos para levar à justiça aqueles que cometeram numerosos e sangrentos crimes contra civis, incluindo cidadãos da Federação da Rússia".

O embaixador russo também comentou sobre os papéis de Washington e da OTAN na escalada do conflito ucraniano, dizendo que "a implantação da infraestrutura da OTAN na [Ucrânia] nos forçaria a tomar medidas de retaliação que colocariam a Rússia e a OTAN à beira do conflito".

'Envio de armas não traz estabilidade'

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o envio de armas do Ocidente à Ucrânia não traz estabilidade.

Segundo Peskov, o envio das armas é um fator desestabilizador perigoso e de forma nenhuma trará estabilidade à Ucrânia.

Mais cedo, a República Tcheca declarou que enviou à Ucrânia armas e munições. De igual forma, os EUA, a Alemanha, os Países Baixos e outros países também anunciaram o envio de armas de diferentes tipos, blindados e até mesmo aeronaves de combate.

Já Portugal decidiu enviar equipamentos militares para o uso pessoal das tropas.

Putin conversa com Macron

Durante uma conversa com seu colega francês Emmanuel Macron nesta segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que as forças de seu país não ameaçaram civis e não atingiram objetos civis.

“A ameaça vem dos nacionalistas ucranianos, que usam a população civil como escudo humano, colocam deliberadamente sistemas de armas de ataque em áreas residenciais e intensificam o bombardeio das cidades de Donbass”, disse o Kremlin.

Como a presidência francesa disse em comunicado, Macron “reiterou a exigência da comunidade internacional de interromper a ofensiva russa contra a Ucrânia” e pediu um cessar-fogo imediato.

Enquanto as negociações estão em andamento entre Kiev e Moscou, Macron também citou três demandas que “devem ser respeitadas no terreno”. Ele pediu à Rússia que “pare com todos os ataques e ataques contra civis e locais de residência”, “preserva a infraestrutura civil” e “proteja as principais rotas”, incluindo a rota sul para Kiev.

Segundo Macron, Putin expressou uma “vontade de se comprometer” com essas três questões.

O presidente francês também pediu que seu colega russo “respeite o direito internacional humanitário”, bem como a “entrega de ajuda”.

Os dois líderes concordaram em manter contato “para evitar que a situação piore”.

A “operação militar especial” russa na Ucrânia foi lançada na última quinta-feira (24), com Putin declarando o objetivo de “desmilitarizar” o país e proteger a segurança das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, bem como da própria Rússia. As nações ocidentais condenaram o ataque e impuseram duras sanções econômicas a Moscou.


Fonte: Agência Sputnik

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