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Motorista de app diz que idoso estava vivo no trajeto até o banco


O depoimento do motorista de aplicativo que transportou Érika de Souza Vieira Nunes com o idoso Paulo Roberto Braga assegura que o homem foi levado ao banco ainda em vida. O motorista afirmou que, durante o trajeto, o idoso aparentava estar vivo, chegando até mesmo a segurar na porta do carro ao desembarcar no estacionamento de um shopping em Bangu.


"Ele chegou a segurar na porta do carro [para desembarcar]", disse o motorista. Em seguida, Érika o transferiu para uma cadeira de rodas. Eles não foram deixados na agência bancária devido à proibição de acesso de veículos. O motorista encerrou a corrida no shopping a pedido de Érika.


No embarque, porém, a mulher precisou de ajuda para colocar o idoso no veículo, pois ele não conseguia caminhar, ainda segundo o motorista. Uma das filhas de Érika também teria ajudado a segurar as pernas do idoso.


O rapaz que auxiliou a colocar o idoso no carro, em seu depoimento, confirmou que Paulo estava vivo ao ser colocado no veículo. Ele relatou que o idoso estava deitado na cama quando entrou na casa e, com a ajuda de Érika, o levou até o carro, percebendo que ele ainda respirava e tinha forças nas mãos.


"Érika o segurava em um braço e o homem em outro", disse. Uma das filhas da mulher também teria ajudado segurando as pernas do idoso, colocado no banco traseiro do veículo.

“Quando entrei na casa, Paulo estava deitado na cama. Peguei Paulo pelos braços com a ajuda de Érika, e o levei até dentro do carro. Consegui perceber que ele ainda respirava e tinha forças nas mãos".


Dúvidas sobre momento do óbito

Entretanto, o laudo de necropsia não esclareceu se Paulo morreu antes de chegar ao banco ou no local. O documento indicou que não havia elementos seguros para determinar o momento exato do óbito, mas apontou que o homem poderia ter falecido até sete horas antes da chegada do socorrista do Samu, que foi acionado às 15h.


O documento, obtido pelo portal "UOL", pontua não haver "elementos seguros" para afirmar que ele faleceu no "trajeto ou interior da agência bancária, ou que foi levado já cadáver à agência bancária."


“De forma indireta, o perito não se opõe que o óbito tenha ocorrido entre 11h30h e 14h30h do dia 16/04/2024. Desta forma, o perito não tem elementos seguros para afirmar do ponto de vista técnico e científico se o sr. Paulo Roberto Braga faleceu no trajeto ou interior da agência bancária, ou que foi levado já cadáver à agência bancária", diz o documento.


Diante dessas informações contraditórias, a investigação sobre o caso continua. A defesa de Érika afirmou que o homem estava vivo quando foi levado ao banco, alegando que ela estava atendendo ao pedido do idoso para realizar o saque do empréstimo. O delegado responsável pela investigação, Fábio Luiz da Silva Souza, destacou a necessidade de esclarecer os fatos diante das discrepâncias entre os depoimentos e as evidências apresentadas.


“Assim que vi o vídeo, de imediato vi que não tinha como a pessoa não saber que aquele idoso na cadeira de rodas estava morto. Ouvimos a gerente do banco e a mulher que estava com idoso. Ela disse que ele estava vivo no caminho, quando chegou na agência bancária e que ela tinha ido sacar o dinheiro a pedido do idoso”, disse Fábio Luiz da Silva Souza, delegado responsável pela investigação.


Relembre o caso

Na terça-feira (16), veio a público um vídeo gravado por funcionários de uma agência bancária localizada dentro de um shopping no bairro de Bangu, zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ).

As imagens chamaram atenção e viralizaram, pois Érika de Souza Vieira Nunes aparece simulando que Paulo Roberto Braga está vivo, ao manusear o cadáver do idoso de uma maneira que ele "assine" os documentos necessários para sacar R$ 17 mil de sua conta bancária.


Para os atendentes, Érika se identificou como sobrinha de Paulo, mas a polícia ainda investiga a veracidade do grau de parentesco, tentando encontrar outros parentes do homem.


A atitude da mulher e a aparência visivelmente fora do comum de Paulo chamaram a atenção dos funcionários do banco, que questionaram Érika sobre a saúde do homem.


Então, os funcionários do local chamaram a polícia. Érika foi presa em flagrante, sob acusações de tentativa de furto mediante fraude e vilipêndio de cadáver. O Samu foi chamado e, naquele momento, constatou que fazia algumas horas que o idoso havia morrido.


Manchas na nuca

De acordo com o delegado Paulo Souza, do 34ª Departamento de Polícia (DP), em Bangu, responsável pelo caso, livores cadavéricos na parte de trás da cabeça de Paulo indicam que ele tenha morrido pelo menos duas horas antes do atendimento da equipe do Samu na agência bancária.

Se Paulo tivesse morrido no banco, haveria livores nas pernas, já que ele estava na cadeira de rodas. Mas a perícia inicial não encontrou manchas nos membros inferiores.


"Não dá pra dizer o momento exato da morte. Foi constatado pelo Samu que havia livor cadavérico. Isso só acontece a partir do momento da morte, mas só é perceptível por volta de duas horas após a morte", explicou o delegado ao "g1".


A polícia ainda não sabe se ele usava, ou não, cadeira de rodas anteriormente, e isso fará parte da investigação.


Além disso, os agentes esperam o exame de necropsia para atestar a causa da morte: se ela ocorreu por alguma causa natural ou se foi dado a ele alguma substância que pudesse levá-lo à morte.

Data do empréstimo


Érika teria ido ao banco para tentar fazer a retirada de R$ 17 mil. Sua defesa diz que o empréstimo do valor foi solicitado há um mês, mas que durante esse período, o idoso ficou internado devido a uma pneumunia, mas estava lúcido e se locomovia com a ajuda de uma cadeira de rodas.


"A solicitação do empréstimo foi feita há aproximadamente um mês do fato ao qual ela está sendo acusada. Ele estava totalmente lúcido. Antes da primeira internação, ele andava; só precisou de cadeira de rodas quando saiu, por ficar um pouco mais debilitado porque teve pneumonia, como qualquer pessoa ficaria. Mas isso não atacou sua lucidez."


Imagens mostram idoso entrando no shopping

Imagens do circuito de segurança do shopping obtidas pelo "g1" mostram o corpo do idoso sendo conduzido por Érika em uma cadeira de rodas para entrar no shopping. Ele aparece com a cabeça tombada para o lado.


Idoso vivo dois dias antes

Imagens divulgadas nesta quarta-feira (17) pela Globonews mostram que dois dias antes (segunda-feira, 15), Paulo foi levado por Érika, ainda com vida, a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele aparece também em uma cadeira de rodas, mas é possível vê-lo tocando na porta do local antes de entrar na unidade de saúde.


O que diz a defesa

A advogada Ana Carla de Souza Correa, responsável pela defesa de Érika, contesta a versão dada pela polícia sobre o homem já ter chegado morto ao banco e afirma que ele ainda estava vivo no momento da chegada.


“Os fatos não aconteceram como foram narrados. O senhor Paulo chegou à unidade bancária vivo. Existem testemunhas que, no momento oportuno, também serão ouvidas. Ele começou a passar mal, e depois teve todos esses trâmites. Tudo isso vai ser esclarecido e acreditamos na inocência da senhora Erika”, declarou a advogada à TV Globo em uma entrevista concedida na porta do 34ª Departamento de Polícia (DP).


Em uma entrevista para o Uol News, a advogada de Érika alegou que a cliente tem um laudo psiquiátrico.


Durante a entrevista, Ana Clara de Souza disse que é possível comprovar o Código Internacional da Doença (CID) de Érika, juntamente com laudos e receiturários de medicamentos usados pela sua cliente.


"Sabemos que há doenças que são altamente psicológicas, outras que transitam para uma questão psiquiátrica e outras que beiram à loucura. Não é o caso dela. [No caso da Erika] São situações que transitam entre um abalo psicológico e uma questão de medicamentos controlados no campo psiquiátrico."


Fonte: IG

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