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MP-RJ deve investigar "Guardiões do Crivella"

  • 1 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Luiz Carlos Joaquim da Silva "Dentinho", contratado em 2019 com salário bruto de R$ 4.195 (Reprodução)

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro vai analisar as informações para abrir investigação sobre a prática da Prefeitura do Rio de manter "guardiões" na porta de hospitais para constranger e ameaçar jornalistas e impedir reportagens que denunciem o mau funcionamento da saúde pública na capital fluminense. O principal alvo dos chamados "Guardiões do Crivella" são os repórteres da TV Globo escalados para ouvir denúncias e reclamações da população.

De acordo com reportagem do Jornal Nacional na segunda-feira (31), os guardiões são funcionários remunerados pela Prefeitura. Um deles, que aparece em foto ao lado do prefeito Marcelo Crivella, tem salário de mais de R$ 10 mil e executa o "serviço".

Para fazer as agressões verbais e defender a política de saúde de Crivella, Luiz Carlos Joaquim da Silva, conhecido como Dentinho, foi contratado em dezembro de 2019 com salário bruto de R$ 4.195, em cargo especial.

A organização tem escalas diárias, horários rígidos e até ameaças de demissão. O grupo se organiza através do Whatsapp. Entre os participantes, um telefone chama a atenção. É um número conhecidamente usado pelo próprio prefeito Crivella. A equipe de reportagem ligou, mas ninguém atendeu.

“O prefeito, ele acompanha no grupo os relatórios e tem vezes que ele escreve lá: ‘Parabéns! Isso aí!’”, contou à TV Globo um dos participantes dos grupos.

A reportagem mostrou que os funcionários públicos são distribuídos por unidades de saúde municipais para fazerem plantão, geralmente em duplas. Eles postam selfies para dizer que chegaram às unidades e quando conseguem atrapalhar reportagens, comemoram nos grupos.

A Prefeitura nega a criação dos grupos e diz que faz isso para melhor informar a população, ainda segundo a reportagem.

Em nota, o MP-RJ informa que "a notícia de fato será encaminhada para uma das promotorias de Justiça da Cidadania com atribuição para análise e possível adoção de medidas cabíveis".



 
 
 

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