MPF pede condenação de Bolsonaro pelo caso Wal do Açaí

Atualizado: 23 de mar.


Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, com Carlos e Jair Bolsonaro (Reprodução)

O Ministério Público Federal (MPF) informou, nesta terça-feira (22), que denunciou à Justiça Federal de Brasília o presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua ex-funcionária fantasma, Walderice Santos da Conceição, conhecida como “Wal do Açaí", por improbidade administrativa. A ação pede ainda que os alvos sejam condenados a ressarcir "os recursos públicos indevidamente desviados".

O caso "Wal do Açaí" foi denunciado a partir de reportagens da Folha de S. Paulo publicadas em 2018, quando Bolsonaro era deputado federal e candidato à presidência. De acordo com a denúncia feita pelo MPF, Walderice era registrada como funcionária de Bolsonaro em sua secretaria de gabinete na Câmara dos Deputados, mas vendia açaí em Angra dos Reis e cuidava dos cachorros e da casa de mantida por Bolsonaro na Vila Histórica de Mambucaba, distrito daquele município fluminense.

Segundo os procuradores, Walderice esteve lotada no gabinete parlamentar de Bolsonaro de 2003 até ele se desincompatibilizar, em 2018, para concorrer à Presidência da República, e nunca deu expediente em Brasília.

"A investigação revelou que, durante esses mais de 15 anos, Walderice nunca esteve em Brasília (...) A análise das contas bancárias de Walderice revelou, ainda, uma movimentação atípica, já que 83,77% da remuneração recebida nesse período foi sacada em espécie, sendo que, em alguns anos, esses percentuais de saques superaram 95% dos rendimentos recebidos", diz o MPF, indicando que Wal devia repassar parte de seu salário a Bolsonaro através do esquema de "rachadinha", prática de corrupção a qual seus filhos Flávio e Carlos também são acusados.

De acordo com o MPF, Bolsonaro "tinha pleno conhecimento de que Walderice não prestava os serviços correspondentes ao cargo e, mesmo assim, atestou falsamente a frequência dela ao trabalho em seu gabinete para comprovar a jornada laboral exigida pela Câmara dos Deputados, de 40 horas semanais, e, assim, possibilitar o pagamento dos salários".

"As condutas dos requeridos e, em especial, a do ex-deputado federal e atual presidente da República Jair Bolsonaro, desvirtuaram-se demasiadamente do que se espera de um agente público. No exercício de mandato parlamentar, não só traiu a confiança de seus eleitores, como violou o decoro parlamentar, ao desviar verbas públicas destinadas a remunerar o pessoal de apoio ao seu gabinete e à atividade parlamentar", diz a denúncia remetida à 6ª Vara Federal do Distrito Federal.

Tanto Bolsonaro quanto Walderice já foram intimados pela Justiça e devem responder às acusações em um prazo de 30 dias.

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