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MPRJ e Polícia Civil prendem integrantes da 'milícia de Tandera'

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), e a Polícia Civil, através da 48ª DP (Seropédica) e da Coordenadoria de Investigações de Agentes com Foro (CIAF), deflagraram, na manhã desta quarta-feira (3/5), a Operação Epilogue. São cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e outros 25 de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa conhecida como “milícia do Tandera”. Até a última atualização desta reportagem, cinco pessoas haviam sido presas.

Reprodução / TV Globo

De acordo com as investigações, a organização criminosa é responsável por extorsões, homicídios, ameaças, grilagem de terras, agiotagem, exploração ilegal de areais, lavagem de dinheiro, entre outros crimes, principalmente nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica. As investigações também revelaram a formação de uma “coalizão” entre candidatos a cargos eletivos para as eleições de 2020, na região da Baixada Fluminense, e os líderes da milícia.


O GAECO/MPRJ ofereceu denúncia contra 17 integrantes da quadrilha, dentre os quais estão os milicianos Danilo Dias Lima, conhecido como Tandera, e Gilson Ingracio de Souza Junior, o Juninho Varão, bem como outros integrantes da organização, sendo alguns deles pessoas ligadas à política local. Entre os alvos está ainda o denunciado Marcelo Morais dos Santos, conhecido como Grande, que apesar de ser figura de destaque na organização criminosa, apresenta-se como empresário.


Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital e a ação conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

Reprodução / TV Globo

Ao longo das investigações foi possível apurar que a organização criminosa vem, por meio da prática de atos violentos e da imposição do terror, afirmando sua dominância sobre moradores e comerciantes das regiões por eles dominadas. Nas contas de armazenamento cujos sigilos foram quebrados, foram identificados vídeos com cenas de episódios de tortura e execuções sumárias, praticadas de forma cruel.


A organização também conta com uma estrutura hierárquica bem delineada, com divisão de funções e tarefas entre seus integrantes. Nos últimos anos a associação criminosa passou a atuar de forma ainda mais complexa, buscando expandir seus negócios espúrios por meio da infiltração no poder público.


Núcleo Político


Por meio das quebras de sigilo de dados telemáticos autorizadas judicialmente foi identificada a gravação de uma reunião entre a alta cúpula da organização criminosa e pré-candidatos à Prefeitura dos municípios de Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica.


Em troca do apoio político da milícia em suas campanhas eleitorais, os pré-candidatos, já denunciados, prometeram entregar aos criminosos Secretarias de Governo, nomeações para cargos públicos, além de beneficiá-los em licitações fraudulentas.

Danilo Dias Lima, o 'Tandera' / Reprodução

Quem é Tandera


Tandera domina regiões de Nova Iguaçu e de Seropédica, na Baixada Fluminense. Até 2020, Tandera integrava a maior milícia do RJ, mas rompeu com Wellington da Silva Braga, o Ecko, que então chefiava o grupo paramilitar.


Com a morte de Ecko em uma ação da polícia em junho de 2021, Tandera tentou tomar dos rivais áreas de Santa Cruz e Paciência, na Zona Oeste do Rio, mas acabou rechaçado. Irmão de Ecko, Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho, herdou a quadrilha no mês seguinte e manteve Tandera como inimigo.


A milícia de Tandera tinha vasto poderio bélico. Em agosto do ano passado, a polícia apreendeu 16 fuzis que pertenceriam ao paramilitar. Uma das armas era um fuzil do Exército americano capaz de atingir um alvo com precisão a 400 metros de distância. Na identificação, estava escrito “propriedade do governo dos Estados Unidos”. A numeração tinha sido raspada.


Também naquele mês, a polícia apreendeu um carro-forte usado pelos milicianos para intimidar desafetos e para proteger criminosos durante confrontos com rivais.


A quadrilha, no entanto, vem enfraquecendo, com sucessivas operações. Irmão de Tandera, Delso Lima Neto, o Delsinho, foi morto em uma ação da polícia em agosto de 2022. Ele era o segundo na hierarquia do grupo paramilitar.


Fonte: MPRJ / *Com informações do g1

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