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Mulheres são maioria em todas as regiões do Brasil pela 1ª vez


(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pela primeira vez em cinco décadas, quando foram iniciadas as medições pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população feminina é maioria em todas as regiões brasileiras. É o que revelaram os dados do Censo Demográfico de 2022 divulgados nesta sexta-feira (27).


A população do Brasil chegou a 203.080.756 de pessoas, sendo 104.548.325 (51,5%) mulheres e 98.532.431 (48,5%) homens. A última região que consolidou a tendência histórica de predominância feminina foi a Norte.


Com isso, a razão de sexo, que é o número de homens em relação ao grupo de 100 mulheres, chegou a 94,2 no país — entre as regiões, vai desde 92,9 (Sudeste) até 99,7 (Norte). Entre os estados, as menores razões de sexo ficam no Rio de Janeiro (89,4), no Distrito Federal (91,1) e em Pernambuco (91,2). Já Mato Grosso (101,3), Roraima (101,3) e Tocantins (100,4) têm mais homens do que mulheres.


A gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Izabel Marri, disse que um dos motivos do fenômeno é a maior mortalidade de homens em todos os grupos etários: desde o nascimento até as idades mais longevas. "Além disso, nas idades adultas, a sobremortalidade [relação entre as probabilidades de morte por idade ou por grupos de idade] masculina é mais intensa. E, com o envelhecimento populacional, a redução da população de 0 a 14 anos e o inchaço da população mais idosa, há um aumento da proporção de mulheres, já que elas sobrevivem mais em relação aos homens", acrescentou.


Entre a população até os 19 anos, os homens ainda são maioria segundo o instituto, com uma razão de 103,5 para cada 100 mulheres. A partir do grupo etário entre 25 e 29 anos, a população feminina se torna majoritária em todas as regiões e chega a atingir o dobro em relação aos homens na faixa de 90 a 94 anos. "A maior incidência de homens nas primeiras idades é uma consequência do maior nascimento de crianças do sexo masculino em relação àquelas do sexo feminino. O maior contingente de homens diminui com a idade devido à sobremortalidade masculina, mais intensa na juventude por conta das mortes por causas externas".


Nos municípios mais populosos, que costumam ter maiores índices de violência, a proporção de homens também é menor, mostrou o Censo 2022. A razão de sexo em cidades com mais de 500 mil habitantes é de 88,9 homens para cada grupo de 100 mulheres, enquanto em localidades com até 5 mil pessoas o número sobe para 102,3. Para valores abaixo de 100, há maioria feminina na população.


Número de idosos cresce 57,4% em 12 anos

Os dados do IBGE também evidenciam um franco envelhecimento da população brasileira: em 12 anos, o número de pessoas com mais de 65 anos cresceu 57,4%. Em 2022, o contingente de idosos era de 22.169.101 (10,9% da população), quando em 2010 era de 14.081.477 (7,4% da população). Ao mesmo tempo, a parcela populacional com idade de até 14 anos caiu de 24,1% para 19,8%.


"Ao longo do tempo a base da pirâmide etária foi se estreitando devido à redução da fecundidade e dos nascimentos que ocorrem no Brasil. Essa mudança no formato da pirâmide etária passa a ser visível a partir dos anos 1990, e a pirâmide etária do Brasil perde, claramente, seu formato piramidal a partir de 2000", explica a pesquisadora do IBGE.


Em 1980, apenas 4% da população possuíam mais de 65 anos e quase 40% estavam na faixa de 0 a 14 anos. "Podemos perceber que a queda da fecundidade ocorreu primeiramente no Sudeste e no Sul do Brasil, o que as faz as regiões mais envelhecidas, com menor proporção de jovens. A região Norte, embora também tenha registrado uma redução da fecundidade ao longo dos últimos anos em todos os estratos socioeconômicos, ainda se mantém a região proporcionalmente mais jovem", frisou Marri.


A média de idade da população brasileira subiu de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022, índice que aumentou em todas as regiões do país: Norte, de 24 para 29 anos; Nordeste, de 27 para 33 anos; Sudeste, de 31 para 37 anos; Sul, de 31 para 36 anos e Centro-Oeste, de 28 para 33 anos. E para cada 100 crianças de 0 a 14 anos, há 55,2 idosos.


E são justamente os municípios com até 5 mil habitantes onde os índices de envelhecimento são maiores: 76,2 idosos para cada grupo com idade de até 14 anos. "Uma possível explicação para esse fenômeno é o deslocamento de pessoas em idade economicamente ativa para as maiores cidades em busca de emprego, educação e serviços. Esse deslocamento de pessoas adultas com seus filhos é predominantemente de pessoas em idade reprodutiva, o que também resultará em um menor número de crianças e nascimentos nas cidades menores, de origem", finaliza.


RJ, RS e MG com maior percentual

O Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os estados do país com o maior percentual de população idosa.


No Rio Grande do Sul, 14,1% dos moradores têm 65 anos ou mais. É o estado com a maior proporção de população idosa. Também registra o menor percentual de crianças. A faixa etária até 14 anos representa 17,5% da população gaúcha. A idade mediana no estado é 38 anos, três a mais do que a idade mediana nacional.


Números próximos são registrados no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Os idosos representam 13,1% da população fluminense, enquanto as crianças são 17,8%. Entre os mineiros, 12,4% têm 65 anos ou mais, enquanto a fatia da faixa etária até 14 anos é de 18,1%.


Por outro lado, os três estados com a maior proporção de crianças são todos da Região Norte: Roraima (29,2%), Amazonas (27,3%) e Amapá (27%). Em todos esses estados, o percentual de idosos com 65 anos ou mais não chega a 6%. O Norte do país registra idade mediana de 29 anos. Em Roraima, chega a ser 26 anos, bem inferior aos 35 anos da mediana nacional.


Nos municípios

Os dados apresentados pelo IBGE também oferecem recorte por municípios. Observa-se que o envelhecimento populacional ocorre de forma mais intensa nas menores e nas maiores cidades. Esse fenômeno pode ser avaliado por meio do índice de envelhecimento. Ele indica quantas pessoas com 65 anos ou mais existem na comparação com cada grupo de 100 crianças até 14 anos.


O índice de envelhecimento é de 76,2 nas cidades com até 5 mil habitantes e de 63,9 naquelas com mais de 500 mil habitantes. "O que acontece nos municípios muito pequenos é a saída da população economicamente ativa, em idade reprodutiva. As pessoas se mudam para locais onde há maiores chances de empregos e melhores ofertas de serviço. Por sua vez, as cidades maiores são justamente aquelas em que a fecundidade tende a ser mais baixa", observa Izabel Guimarães.


Nos municípios com volumes populacionais intermediários, o índice de envelhecimento é mais baixo. O menor patamar, 48,9, é observado nas cidades que têm entre 50 mil e 100 mil habitantes.


Entre os dez municípios com o maior índice de envelhecimento, nove são do Rio Grande do Sul e um de São Paulo. Os três que ocupam o topo dessa lista são todos gaúchos e têm menos de 5 mil habitantes: Coqueiro Baixo (277,14), Santa Tereza (264,05) e Três Arroios (245,98).


O ranking dos menores índices de envelhecimento é liderado por nove municípios da Região Norte, sendo três de Roraima, dois do Acre, dois do Amazonas e dois do Pará. A liderança é de Umiratã (RR), com 5,40. A cidade, que tem grande número de habitantes indígenas, registra idade mediana de 15 anos. Ou seja, metade da população tem até 15 anos.


Com informações da Agência Brasil e Sputnik Brasil

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