Mulheres Unidas pedem criação de DEAM em Três Rios

Atualizado: 6 de mai.

Um grupo formado por 160 mulheres dos municípios de Três Rios, Paraíba do Sul, Sapucaia, Areal e Levy Gasparian, entregou nesta quarta-feira (4/5) ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), um manifesto para a criação de uma delegacia especializada para atendimento ao público feminino (DEAM) na região centro-sul fluminense. No documento, as 'Mulheres Unidas' afirmam que casos de violência doméstica física e psicológica, importunação e assédio sexual não são averiguados a contento, e muitas vezes são até minimizados pelas autoridades policiais locais, deixando os praticantes dos crimes impunes.

Natacha Alves com os deputados André Ceciliano e Martha Rocha / Divulgação

De acordo com Natacha Aves, presidente do grupo, a região centro-sul do estado apresenta índices elevados de violência contra a mulher, que se agravaram na pandemia, além de casos de feminicídio. Em maio do ano passado, um desses crimes chocou a população de Três Rios. Uma mulher foi morta pelo companheiro com 61 facadas. E em janeiro desse ano, uma idosa cadeirante que morava sozinha também foi brutalmente assassinada.


A ideia de criar o grupo surgiu depois que a própria Natacha foi importunada por um comerciante local e resolveu denunciá-lo na delegacia. Diante das dificuldades para registrar um boletim de ocorrência, e de quase ser transformada de vítima em culpada pela visão distorcida dos policiais, publicou na internet os vídeos que gravou durante o episódio. Para sua surpresa, recebeu o apoio de várias mulheres que haviam passado por situação semelhante.


"Nos queremos que o estado instale uma delegacia especializada em Três Rios para atender 200 mil mulheres de onze municípios da região que não dispõem desse serviço. E não são apenas casos de agressão e assédio. Existem outras violências, como a falta de atendimento médico nas unidades de saúde e até na maternidade da cidade. Nós do Mulheres Unidas temos lutado até para garantir o direito ao parto seguro. Com a DEAM, aquelas que têm receio de procurar a polícia para registrar queixa se sentirão mais fortalecidas para pedir ajuda e proteção, e serão atendidas de forma correta, por profissionais capacitados para isso", defende Natacha.


Iniciativas como o aplicativo Maria da Penha Virtual e o Programa Flor de Lótus, do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio), conforme aponta, têm papel relevante, mas considera a DEAM necessária para dar mais agilidade ao atendimento, com o registro de ocorrências, realização de investigações ou mesmo a prisão em flagrante dos agressores.


Natacha diz que não falta local para a instalação de uma delegacia especializada. A cidade de Três Rios, considerada pelo grupo a mais adequada para abrigar o serviço — abrangendo os outros quatro municípios vizinhos — possui vários prédios públicos desativados que poderiam ser ocupados para esta finalidade.


Ela conta que vem realizando um verdadeiro périplo para levar a questão às autoridades estaduais e municipais e recebeu o apoio da deputada Martha Rocha (PDT), além do próprio deputado André Ceciliano.


"O presidente da Alerj se comprometeu a apresentar um Projeto de Lei propondo a implantação da DEAM em Três Rios. Foi difícil chegar até aqui, mas é uma reivindicação justa e vamos continuar lutando por outros direitos também. As Mulheres Unidas não vão parar", afirma.



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