'Não sou dado a orgias', diz Barroso sobre fake news bolsonarista


(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Durante uma palestra para estudantes organizada pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, nesta segunda-feira (2), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, respondeu acerca de fake news bolsonaristas que circulam sobre ele na Internet.

Em uma delas, é afirmado que ele foi para Cuba com o ex-ministro, José Dirceu, para participar de uma orgia, segundo o UOL.

"Vocês não vão acreditar, isso [a fake news] tem milhões de acesso. Eu gostaria de dizer para quem se interessa pela verdade que nunca fui a Cuba, eu não sou dado a orgias. E não tenho nenhum tipo contato com o ex-ministro José Dirceu, mas isso circula como se fosse uma verdade. Isso está mais para o bizarro, para o ridículo, do que para o perigoso", afirmou o ministro.

Entretanto, embora tenha classificado a fake news como "bizarra", Barroso diz que há outras que são perigosas, como conclamar a população para invadir o STF e tirar os ministros à força.

"Isso não é ridículo, isso é perigoso para as instituições e para a democracia", declarou.

Barroso também citou outra notícia falsa que circula nas redes sociais, na qual ele e o também ministro do STF, Alexandre de Moraes, teriam conspirado com as Embaixadas da China e da Coreia do Norte para tirar o presidente, Jair Bolsonaro (PL) do poder.

"Tem uma outra que diz que eu, o ministro Alexandre de Moraes e um advogado de Brasília conspiramos com a embaixada da China e da Coreia do Norte para derrubar o presidente. Milhões de acessos. E olha que meu coreano está bem enferrujado", ironizou Barroso.

Durante sua fala na palestra, o magistrado disse que “há um limite em que a liberdade de expressão se transforma em um risco para a integridade das pessoas e das instituições”. Nessa hora, defendeu: “ela precisa ser ponderada com outros valores”.

Bolsonaro e golpistas

O presidente Bolsonaro compareceu a um ato pró-governo no 1º de Maio, no domingo, em que bolsonaristas pediam golpe militar e fechamento do STF. Nesta segunda-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o pedido feito por bolsonaristas é "liberdade de expressão".

"Isso é liberdade de expressão. Tem gente que quer isso, mas a imensa maioria do povo não quer. Normal", disse Mourão.

Tanto a volta da ditadura quanto o fechamento do STF são pautas inconstitucionais e antidemocráticas. É dever de governantes eleitos democraticamente sempre repudiá-las.

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