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Na China, Putin e Xi assinam pacto por um ‘mundo multipolar’

  • há 56 minutos
  • 4 min de leitura

(Foto: Alexander Kazakov/Sputnik)
(Foto: Alexander Kazakov/Sputnik)

Por Serguei Monin

(Brasil de Fato)

Moscou (Rússia) - O presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, assinaram nesta quarta-feira (20) uma “Declaração sobre o desenvolvimento de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais” entre Moscou e Pequim. O encontro entre os líderes, em Pequim, também resultou na formalização de cerca de 40 documentos de cooperação bilateral e em avanços nas negociações sobre o megagasoduto Força da Sibéria 2, que deve ampliar o fornecimento de gás russo à China via Mongólia.


Vladimir Putin realiza uma visita oficial à China nos dias 19 e 20 de maio. A viagem ocorre logo após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, que esteve em Pequim na semana passada.


A reunião entre os dois líderes, que passou de um formato restrito para um mais ampliado, teve mais de três horas de duração. “Hoje, nossas relações atingiram um nível sem precedentes, representando um modelo de parceria verdadeiramente abrangente e interação estratégica”, disse Putin.


Xi Jinping, por sua vez, defendeu a coordenação estratégica entre os dois países para o desenvolvimento de um “sistema de governança global mais justo e racional”.


“Atualmente, em um cenário internacional caótico, o unilateralismo e a hegemonia são desenfreados, mas a busca pela paz, desenvolvimento e cooperação permanece a aspiração dos povos e o espírito da época. Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] e grandes potências globais, a China e a Rússia devem, em consonância com seus interesses de longo prazo, alcançar o rejuvenescimento nacional por meio do avanço de uma coordenação estratégica abrangente de maior qualidade e da construção de um sistema de governança global mais justo e racional”, disse Xi Jinping no início das conversas com o presidente russo Vladimir Putin.


O líder chinês observou que as relações entre os dois países “atingiram gradualmente o alto nível atual, e isso foi possível graças à vontade inabalável e intrínseca” da China e da Rússia em aprofundar continuamente a confiança política mútua e a coordenação estratégica.


Putin salientou que, mesmo em meio a fatores externos desfavoráveis, a cooperação econômica entre Moscou e Pequim demonstra grande dinamismo. De acordo com ele, ao longo de 25 anos, o volume de negócios comerciais cresceu mais de 30 vezes e ultrapassou com segurança a marca de 200 bilhões de dólares por vários anos consecutivos.


“O motor da cooperação econômica é a cooperação russo-chinesa no setor energético. Em meio à crise no Oriente Médio, a Rússia continua a desempenhar seu papel como fornecedora confiável de recursos, e a China, como consumidora responsável desses recursos. Entre nossas prioridades estão grandes iniciativas conjuntas na indústria, agricultura, transporte e, claro, alta tecnologia”, afirmou o presidente russo.


Após o término das conversações, as partes se dirigiram à sala de reuniões para a assinatura de 21 acordos. Entre os documentos, os líderes adotaram uma declaração “sobre o fortalecimento de parceria abrangente e interação estratégica”, bem como um documento sobre o aprofundamento das relações de boa vizinhança, amizade e cooperação.


Além disso, os dois líderes assinaram uma declaração conjunta sobre o “desenvolvimento de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais”. Anteriormente, o assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, classificou este documento como “conceitual”.


“Um pacote substancial de documentos interdepartamentais, intergovernamentais e corporativos, cerca de 40 no total, também foi concluído. Alguns deles foram assinados aqui”, disse Putin em uma cerimônia de assinatura de documentos no Grande Salão do Povo, em Pequim.


Além disso, as partes assinaram diversos documentos intergovernamentais, interdepartamentais e comerciais. Esses documentos abordam o aprofundamento da cooperação entre a Rússia e a China em energia nuclear, indústria, comércio, transporte, construção, educação, cinema e outras áreas.


Putin e Xi Jinping também concordaram em expandir a prática de exercícios militares conjuntos. De acordo com a declaração conjunta, Rússia e China “responderão conjuntamente a vários desafios e ameaças, e também apoiarão a segurança e a estabilidade global e regional”.


Gasoduto ‘Força da Sibéria 2’

A visita de Vladimir Putin ocorre em meio à expectativa da Rússia de concluir novos acordos energéticos de longo prazo com a China, em particular, o gasoduto “Força da Sibéria 2”, que prevê a construção de uma nova rota de fornecimento do gás russo para a China, que atravessaria a Mongólia.


O assessor presidencial russo Yuri Ushakov havia relatado anteriormente que a Rússia e a China assinariam aproximadamente 40 documentos, 21 dos quais seriam assinados durante o encontro entre Putin e Xi Jinping. Após a reunião em Pequim, Ushakov descreveu as conversas como “positivas”, afirmando que a Rússia e a China concordaram com projetos energéticos “promissores”.


Após conversas com Xi Jinping, Vladimir Putin declarou a disposição da Rússia em manter o fornecimento ininterrupto de petróleo, gás e carvão para a China. Ele também destacou o trabalho da Rosatom (empresa estatal de energia nuclear russa) na construção de unidades de geração de energia nas usinas nucleares de Tianwan e Xudapu, observando que a entrada em operação dessas instalações fornecerá à economia chinesa energia limpa e acessível.


“Nosso país é um dos maiores exportadores de petróleo, gás natural — incluindo gás liquefeito — e carvão para a China. Estamos, naturalmente, prontos para continuar garantindo o fornecimento ininterrupto de todos esses combustíveis para o mercado chinês, que está em rápido crescimento”, disse Putin.


Na última terça-feira (19), o Kremlin havia declarado que o projeto do gasoduto “Força da Sibéria 2” seria objeto de discussões “sérias” e “muito detalhadas”. Após as negociações, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os dois países chegaram a um acordo sobre os principais parâmetros do projeto, mas que ainda não havia um entendimento claro sobre o cronograma do projeto.


“Temos acordos sobre o trajeto e sobre como ele será construído. Alguns detalhes ainda precisam ser definidos. Ainda não há um entendimento claro. Afinal, trata-se de informação comercial. Mas é uma conquista bastante significativa”, disse.


Em 2 de setembro de 2025, a petroleira estatal russa Gazprom anunciou a assinatura de um memorando vinculativo sobre a construção do gasoduto Força da Sibéria 2 com a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC). O gasoduto deverá ter 6.700 km de extensão, dos quais 2.700 km fariam parte do território russo. O acordo para o fornecimento de gás pelo novo gasoduto tem duração de 30 anos. Uma vez implementado, o projeto transportará 50 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente da Rússia para a China via Mongólia.

 
 
 

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