Na PF, viúva diz que destruiu celular de Bebianno


O ex-ministro e presidente do PSL, Gustavo Bebianno com o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

A advogada Renata Bebianno, viúva do ex-ministro Gustavo Bebianno, disse em depoimento para a Polícia Federal e ao Ministério Público que destruiu o último celular do marido, um modelo iPhone X, sem ver o conteúdo que constava nele.

Renata foi ouvida no âmbito do processo que apura a suspeita de um esquema ilegal de disparo de mensagens em massa pelo Whatsapp na campanha de 2018 que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República. Havia expectativa de que informações importantes pudessem ser recuperadas do aparelho. As informações foram levantadas pela Folha de S. Paulo neste domingo (27).

Ao ser questionada se fez pesquisas no telefone do ex-ministro, Renata disse que não. Segundo o jornal, as respostas não convenceram os investigadores.

O ex-ministro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, morreu no dia 14 de março, aos 56 anos, após sofrer um infarto, segundo a certidão de óbito.

Renata contou aos investigadores que seu marido vinha se queixando de fraqueza nos dias que antecederam a morte.

Lutador de jiu-jitsu desde a juventude, Bebianno não bebia nem fumava e inspirava às pessoas de seu convívio a imagem de uma pessoa saudável. Quando Bebianno morreu, muitos amigos do ex-ministro defenderam que as circunstâncias do infarto fossem apuradas. A família, no entanto, logo descartou a possibilidade de alguém ter atentado contra a vida dele e a viúva disse que ele já havia relatado nos dias anteriores que não se sentia bem de saúde. Apesar da relação próxima que mantinham até o segundo mês de governo, Bolsonaro não divulgou qualquer mensagem de pesar pela morte.

Decepção e interpelação criminal

Meses antes de morrer, Bebianno declarou ao Congresso em Foco que tinha amor fraternal pelo presidente Jair Bolsonaro, mas discordava de quase todas suas atitudes e entendia que ele deveria ser submetido a tratamento psiquiátrico. As mensagens, enviadas pelo Whatsapp à reportagem do site, revelavam um homem decepcionado com o projeto que ajudou a construir. Ex-advogado de Bolsonaro, cuja campanha à presidência coordenou, Bebianno enxergava no presidente uma pessoa desequilibrada, cercada de "loucos" e fanáticos.

Demitido após pouco mais de um mês no governo, depois de confrontar o vereador Carlos Bolsonaro e ter seu nome associado a um esquema de candidaturas laranjas, Bebianno assumiu tom crítico em relação ao governo. Em outubro do ano passado, Jair Bolsonaro chegou a levantar a suspeita, sem apresentar qualquer indício, de que o ex-aliado estava por trás do atentado contra ele em Juiz de Fora ocorrido em 6 de setembro de 2018, ou seja, quando ele era o coordenador da campanha que o levou ao Palácio do Planalto.

Ouvido pelo Congresso em Foco, em 23 de dezembro do ano passado, Bebianno declarou que estava se preparando para promover uma interpelação criminal e cível contra o presidente. Em tom de desabafo, acrescentou:

"No primeiro momento, fiquei com muita raiva. Só fiz o bem para esse cara. Carreguei a campanha nas costas, assim como o partido. Eu e o deputado Julian Lemos [que também se tornou desafeto do presidente]. Trabalhamos incansavelmente. Não aceito mentiras e acusações de qualquer natureza. Apesar disso, a raiva passou. Sinto pena. O Jair está nitidamente desequilibrado. Precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico. Estou também preocupado, uma vez que o país está sob seu comando. Isso tudo é muito triste. Não era para ser assim", disse o ex-ministro.

Ainda de acordo com o site da revista, em entrevista, Bebianno falou de seus planos de se filiar ao PSDB e coordenar a campanha de João Doria ao Palácio do Planalto em 2022 e afirmou que tinha receio de Bolsonaro tentar um golpe de Estado. Segundo ele, o candidato que ajudou a eleger deixou o poder subir à cabeça, abandonou suas promessas de campanha para proteger e favorecer os filhos, cercou-se de “loucos” e faz uma gestão marcada pelo autoritarismo, pelo “desarranjo mental”, pela irresponsabilidade e pelo “desgoverno”.

Sistema paralelo, nomeações na PF e medo

Logo no início do governo, segundo relato do próprio, divulgado à época pela imprensa, Bebianno viu o filho 02 do presidente, Carlos, com um amigo delegado da Polícia Federal no Planalto, e soube que estavam propondo a criação de um sistema paralelo de informações para abastecer Bolsonaro.

As imagens vergonhosas do vídeo histórico da reunião ministerial de 22 de abril deste ano, impensáveis para qualquer país civilizado, revelaram a paranoia de Jair Bolsonaro por informações clandestinas quando disse "o meu serviço de informações particular funciona". E esta foi também a motivação da demissão do ex-ministro Sérgio Moro, que depois denunciou a tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, segundo o ex-juiz, por interesses específicos do clã Bolsonaro para proteger, como o próprio presidente admitiu, sua família e seus amigos.

Bebianno contava que tentou dissuadir Bolsonaro, argumentando que a montagem daquele sistema paralelo de informação era ilegal e poderia gerar um pedido de impeachment, por crime de responsabilidade.

Em sua última entrevista, o ex-ministro contou ter deixado cartas para Bolsonaro. Ao jornal O Globo, na época, Bebianno afirmou não ter guardado mágoa do ex-aliado, que o demitiu do cargo, mas admitiu ter medo.

"Fiz uma carta. Um dia vou publicar essa carta... E entreguei nas mãos do Carlos Vereza [o ator disse posteriormente em entrevista que entregaria a carta a Renata, a viúva), para que entregasse ao Jair. Entreguei também ao Onyx e ao general Santa Rosa (ex-secretário de Assuntos Estratégicos, que se demitiu em dezembro de 2019). O senhor chegou no ápice, eu disse. Mas toda a energia que eu sinto do senhor é a do ódio. O fato é que quero que o governo dê certo, mas dentro de um ambiente democrático, saudável, respeitando as instituições", afirmou Bebianno na ocasião.

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