'Nada está tão ruim que não possa piorar', diz Bolsonaro


(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ao comentar nesta segunda-feira (27) sobre a disparada do preço da gasolina, o aumento do dólar e os problemas econômicos da atual gestão, o presidente Jair Bolsonaro esquivou-se de responsabilidade e tentou usar o discurso para justificar a situação atual do Brasil. Após dizer que se trata de uma realidade mundial e não acontece por "maldade" da sua parte, Bolsonaro citou que "nada está tão ruim que não possa piorar". A declaração foi dada durante um evento comemorativo dos mil dias de seu governo.

“Mas nós temos o percurso, temos muitos obstáculos. São intransponíveis? Não, mas depende do entendimento de cada um. Alguém acha que eu não queria a gasolina a R$ 4 ou menos? O dólar a R$ 4,50 ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade. E tem um ditado que diz: ‘Nada está tão ruim que não possa piorar’. Não queremos isso porque temos o coração aberto, e tem uma passagem bíblica que diz: “Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna”, disse o presidente, mais uma vez misturando política e religião.

De acordo com o IPCA-15 de setembro, que mede a variação dos preços entre os dias 15 de cada mês, a inflação já chegou a dois dígitos (10,05%), pressionada pela alta dos alimentos e dos combustíveis. O IPCA-15, do IBGE, serve como uma prévia do IPCA, usado nas metas de inflação do governo.

Bolsonaro também culpou a pandemia de covid-19 pelos problemas econômicos, e, para justificar a disparada de preços durante seu governo, citou que também houve aumento nos preços do gás natural no Reino Unido e da gasolina, nos Estados Unidos.

Bolsonaro disse que não há muito o que se fazer em relação ao preço dos combustíveis, que, na verdade, faz parte da política de preços praticada pela Petrobras após o golpe do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, quando a gestão da empresa passou a atrelar o preço da venda da gasolina ao valor do petróleo no mercado internacional e à variação cambial (dólar) - dessa forma, contribuindo para a elevação dos preços ao consumidor.

"Ninguém trabalha sob pressão. Trabalha com observações, como hoje estive com o ministro [das Minas e Energia] Bento [Albuquerque], conversando sobre a nossa Petrobras, o que nós podemos fazer para diminuir o preço na ponta", disse Bolsonaro.

Corrupção

Ainda ao avaliar os mil dias de sua gestão, Bolsonaro voltou a declarar que seu governo vem combatendo a corrupção - sem citar, por exemplo, as denúncias de irregularidades na compra de vacinas e de que ele próprio é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal por prevaricação. Bolsonaro, porém, admitiu que a corrupção não foi eliminada nos últimos três anos.

"Quando se fala em mil dias sem corrupção... Eliminou-se a corrupção? Obviamente que não. Podem acontecer problemas em alguns ministérios? Podem, mas não será da vontade nossa", disse.

Banqueiros com 'coração'

No discurso, Bolsonaro ainda aproveitou para defender banqueiros. Para ele, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, seria a prova de que há banqueiros com coração.

“[Estou] Aprendendo com o Pedro Guimarães, mostrando aí aos homens do mercado, presidentes e diretores de banco, que essas pessoas também têm coração. A forma como o Pedro Guimarães se expressa é a comprovação disso dai”, disse o presidente, numa evidente tentativa de acariciar os banqueiros, que no início deste mês assinaram um manifesto em defesa da democracia e contra as ameaças de golpe de Bolsonaro.

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