Negros foram mais afetados por desemprego na pandemia

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) compilados em um boletim especial do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta sexta-feira (19/11), mostram que o desemprego e o desalento tiveram impacto maior entre a população negra brasileira durante a pandemia. Dos 8,9 milhões de brasileiros que perderam ou deixaram de procurar emprego entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 6,3 milhões eram negros, o equivalente a 71,4%.

Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Lançado na véspera do Dia da Consciência Negra, o boletim do Dieese se concentra em dados econômicos que refletem desigualdade no acesso à saúde.


"Quando se compara 2021 com o 1º trimestre de 2020, antes da pandemia, nota-se que parcela expressiva de negros não voltou para a força de trabalho: 1,1 milhão de negras e 1,5 milhão de negros", ressalta o estudo.


"Para os negros, a taxa de desemprego é sempre maior do que a dos não negros. Enquanto para os homens negros, ficou em 13,2%, no 2º trimestre de 2021, para os não negros, foi de 9,8%. Entre as mulheres, a cada 100 negras na força de trabalho, 20 procuravam trabalho, proporção maior do que a de não negras, 13 a cada 100."


O estudo do Dieese ressalta que pessoas negras "enfrentam mais obstáculos para conseguir uma colocação, ganham menos e têm frequentemente inserção vulnerável e frágil." Enquanto homens e mulheres não negros receberam em média R$ 3.471 e R$ 2.674 por mês no 2º trimestre de 2021, trabalhadores negros ganharam R$ 1.968 e trabalhadoras negras, R$ 1.617.


População negra e covid-19


Dados do início de julho da plataforma LocalizaSUS mostravam que as mortes por doença respiratória durante a pandemia cresceram 71% entre os negros e 24,5% entre os brancos. Maioria da população, os negros receberam apenas 23% das vacinas contra a covid-19 no Brasil, o que pode ter atrasado o retorno ao mercado de trabalho.


Conforme informações do próprio Ministério da Saúde, os negros têm 40% mais chances de morrer de covid-19, pois estão mais expostos. Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que eles representam 57% dos mortos pela doença, enquanto os brancos são 41%.

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