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No Chile, Lula participa de reunião sobre defesa da democracia

  • 21 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de jul. de 2025


Lula durante encontro com o presidente chileno Gabriel Boric, em Santiago (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula durante encontro com o presidente chileno Gabriel Boric, em Santiago (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Lula participa nesta segunda-feira (21) de uma série de compromissos oficiais em Santiago, no Chile, incluindo uma reunião de alto nível no Palácio de La Moneda sobre a defesa da democracia. O encontro, organizado pelo presidente chileno Gabriel Boric, ocorre num momento em que líderes latino-americanos buscam fortalecer a defesa da democracia e os canais de diálogo com a sociedade civil. Também participam do evento os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, da Espanha, Pedro Sanchez, e do Uruguai, Yamandú Orsi.


"Neste momento que o extremismo tenta reeditar práticas intervencionistas, precisamos atuar juntos. A defesa da democracia não cabe somente aos governos. Requer participação ativa da academia, dos parlamentos, da sociedade civil, da mídia e do setor privado”, disse Lula em declaração à imprensa após o encontro.


Os três temas principais da pauta são a defesa da democracia e do multilateralismo, o combate às desigualdades e o enfrentamento à desinformação e as tecnologias digitais. A conferência "Democracia Sempre", entre os chefes de Estado, foi seguida de um encontro com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e de centros de pesquisa, comprometidos com a preservação de regimes democráticos na América Latina..


Para Lula, é preciso ações concretas e urgentes diante do agravamento da ofensiva antidemocrática no mundo.


“A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas. Cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram no descrédito. Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições democráticas e do multilateralismo em face dos sucessivos ataques que vem sofrendo”, afirmou o presidente brasileiro.


Os cinco líderes também concordaram sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e do combate à desinformação para “devolver aos Estados a capacidade de proteger os seus cidadãos”.


“A chave para um debate público livre plural é a transparência de dados e uma governança digital global. Que a liberdade de expressão não se confunda com a autorização para incitar a violência, difundir o ódio, cometer crimes e atacar o Estado democrático de direito”, disse Lula.


O grupo de presidentes ainda convocou a sociedade organizada para a construção coletiva de propostas de reformas estruturais para enfrentar as desigualdades.


“Não há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta os direitos sociais”, disse Lula ao defender justiça tributária e taxação dos super-ricos.


“Só o combate a desigualdades sociais, de raça e de gênero pode resgatar a coesão e a legitimidade das democracias. A crise ambiental introduz novas formas de exclusão com os impactos desproporcionais para os setores mais vulneráveis. Sem um novo modelo de desenvolvimento, a democracia seguirá ameaçada por aqueles que colocam seus interesses econômicos acima dos da sociedade e da pátria”, afirmou o brasileiro.


O encontro no Chile já estava marcado há algum tempo, mas acontece no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endurece os ataques tarifários contra diversos países, entre eles o Brasil.


O evento ocorre em seguimento à primeira reunião de alto nível Em Defesa da Democracia: Lutando contra o Extremismo, realizada em setembro de 2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O evento foi convocado pelo presidente Lula e pelo espanhol Pedro Sánchez.


Como próximo marco da iniciativa, está prevista a realização de reunião no contexto da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro próximo, em Nova York. Na ocasião, também devem participar os líderes de México, Inglaterra, Canadá, Honduras, Austrália, África do Sul e Dinamarca.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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