Programa 'No Fio da História' estreia no Youtube
- 16 de jul. de 2025
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Atualizado: 17 de jul. de 2025
Foi ao ar na noite desta quarta-feira (16/7) o programa de estreia da série semanal 'No Fio da História', produzido pelo TODA PALAVRA e veiculado no canal do jornal no Youtube e na Rádio TODA PALAVRA. O primeiro programa teve apresentação do jornalista Luiz Augusto Erthal, comentários do analista político, ex-deputado federal e ex-ministro do Trabalho, Carlos Brizola Neto, e participação especial do jornalista Beto Almeida. Assista na íntegra.

'No Fio da História' traz reportagens, entrevistas, análises e debates sobre os principais temas políticos, econômicos e sociais do Brasil e do mundo, sob a perspectiva do pensamento trabalhista e nacional-desenvolvimentista.
Nesta primeira edição, o destaque foi a 'escandalização' promovida pela mídia oligárquica sobre a fraude no INSS. A reportagem mostrou a manipulação do caso pelas organizações Globo (Jornal Nacional, g1 e GloboNews), que empreendeu uma campanha difamatória contra o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, do PDT.
A fraude dos descontos em folha ilegais nas pensões e aposentadorias do INSS teve origem no último ano do governo Temer e se intensificou nos quatro anos seguintes sob a presidência de Jair Bolsonaro. Esse fato foi pouco mostrado pelas 'emissoras globais', que atacaram Carlos Lupi intensamente, insinuando sua culpa, mesmo que as investigações da Polícia Federal tenham evidenciado que o ex-ministro da Previdência nada tem a ver com a roubalheira.
Segundo a matéria de 'No Fio da História', a grande mídia conservadora passou veicular notícias contra Lupi, em uma descarada escalada contra ele, que havia se declarado contrário à desvinculação do reajuste de aposentadorias e pensões do salário mínimo. E, de quebra, ainda trabalhou para baixar juros dos empréstimos consignados para os trabalhadores da iniciativa privada. Em suma, Carlos Lupi era uma 'pedra no sapato' do mercado financeiro e da Faria Lima.
Assista:
Antes mesmo de começar a campanha anti-Lupi, que culminou com seu pedido de demissão em 2 de maio, as emissoras dos Marinho não paravam de entrevistar economistas neoliberais que repetiam o mantra: é preciso cortar custos para equilibrar o orçamento e gastos com a Previdência devem ser os primeiros, seguidos de despesas com saúde e educação. E para baixar os gastos com a Previdência, a solução mágica apontada por eles seria a desvinculação das aposentadorias e pensões do salário mínimo.
"Mais uma vez a Globo sendo a Globo. O ódio ao trabalhismo vem de longe", comentou Brizola Neto, citando a perseguição a seu avô.
A matéria mostra que o método da mídia oligárquica contra Lupi é, na verdade, inspirado na velha fórmula baseada no denuncismo, e que levou Getúlio ao suicídio em 1954; à deposição de Jango pelos militares em 64; à derrota de Lula em 89 — quando Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que dirigia o debate na Globo, maquiou Collor para que este parecesse 'mais humano' diante de Lula.
O episódio foi contado, sem o menor pudor, pelo próprio Boni ao jornalista Geneton Moraes Neto. Tudo isso sem esquecer a campanha pelo impeachment de Dilma Roussef, resultado de um golpe parlamentar em 2016; e a perseguição implacável contra Brizola desde que retornou ao Brasil após o exílio e governou o estado do RJ por duas vezes.
"A grande mídia, que tenta criar narrativas para atender seus interesses, se voltou contra Lupi porque ele era uma anteparo contra qualquer tentativa de retirada de direito dos aposentados", observa Brizola Neto.
"Foi mais uma campanha falaciosa contra um líder trabalhista. O objetivo da Globo é defender os interesses de seus anunciantes do sistema financeiro (...) Os bancos e o sistema financeiro dizem que o governo gasta muito ou gasta mal. Mas não falam que o governo gasta mais justamente com a rolagem dos juros da dívida. Aí é que está o grande gargalo da gasto público. Mas isso ninguém fala", denuncia.

BRICS Press Meeting
Além da matéria especial sobre as verdadeiras causas da saúda de Lupi do ministério da Previdência, a primeira edição de 'No Fio da História' traz uma entrevista com o jornalista Beto Almeida, um dos fundadores da TeleSur e da TV Comunitária de Brasília. Esta última, em parceria com o jornal e rádio TODA PALAVRA realizaram o BRICS Press Meeting, no dia 4 de julho, no Solar do Jambeiro, em Niterói.
O encontro, a dois dias da Cúpula de Líderes do BRICS no Rio de Janeiro, reuniu jornalistas e veículos de outros países e do Brasil, entre eles, a agência russa Sputnik, a iraniana HispanTV, a rede de televisão venezuelana TeleSur, a agência cubana Prensa Latina — mídias de países sancionados internacionalmente — além do portal brasileiro de notícias Brasil 247, entre os participantes.

Beto Almeida falou sobre a iniciativa do evento e sobre a Carta de Niterói, que foi entregue ao governo brasileiro e aos países do BRICS.
"Se analisarmos a crise do capitalismo hoje, o BRICS oferece uma saída para a humanidade, que está entrando no neoliberalismo e num beco sem saída. Isso só leva à destruição, à miséria ou à guerra. O BRICS apresenta um outro caminho. Mas precisa de uma boa comunicação. Não pode um grupo de países que tem uma proposta libertadora para a humanidade ser tão maltratada nos meios de comunicação", disse ele, se referindo às inverdades repetidas pela mídia ocidental que criminaliza países e oferece visões distorcidas à opinião pública mundial.

"O encontro promoveu uma reflexão profunda e apresentou alternativas viáveis para a democratização da comunicação", esclareceu Beto Almeida.
O BRICS Press Meeting contou com a presença de vários jornalistas, pesquisadores e cientistas sociais. Entre os palestrantes, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchese, fez a fala de abertura ressaltando a riqueza cultural dos países que formam o bloco e do potencial de troca de experiências, a começar pelas várias línguas.
A jornalista, professora e cientista social Beatriz Bissio traçou um paralelo entre o BRICS e os movimento de países não-alinhados, e falou da conferÇencia de Bandung, em 1955.
O evento foi encerrado com a palestra do jornalista Pepe Escobar e comentários do jornalista Leonardo Attuch, do portal Brasil 247, apoiadores do evento. Ao final, os participantes aprovaram o texto da 'Carta de Niterói', com propostas como a criação de uma 'big tech' da maioria global, e que foi entregue ao governo brasileiro e de outros países do bloco.
Beto Almeida conta que a repercussão do encontro foi boa e que recebeu mensagens de colegas da imprensa de vários países parabenizando a iniciativa.
Outros assuntos
O programa desta quarta trouxe ainda uma entrevista com o jornalista estadunidense Thimoty Rush, do Executive Inteligence Review (EIR), uma mídia independente e antiimperialista nos Estados Unidos (sim, nos EUA), que veio ao Brasil para cobrir a Cúpula do BRICS e também participou do encontro de jornalistas em Niterói.

Trouxe também uma matéria com Leir Pires Ferreira, pesquisador do Núcleo de Estudos do BRICS da Universidade Federal Fluminense (NUBRICS) defende a iniciativa de Eduardo Paes de oferecer o prédio fechado do Jockey Clube, no Centro da cidade, a Lula, para ser transformado em escritótio-sede do BRICS.
"O Rio é uma cidade global, conhecida no mundo inteiro e altamente representativa da cultura brasileira. Seria uma forma de contrapor a ideia de 'colonialidade'. O Rio apareceria como a 'capiutal do sul global'", afirmou.
Sobre a guerra das tarifas encampada pelo presidente dos Estados Unidos, Brizola Neto comentou:
"Ninguém mais leva a sério o que Trump fala. É uma tremenda falta de postura retaliar por questão política, querendo interferir no judiciário brasileiro.
Na opinião do ex-ministro do Trabalho, a taxação de Trump ajuda a turbinar a campanha de Lula para a reeleição em 2026. E é, segundo ele, uma grande oportunidade para se criar um movimento de união nacional em torno do tema 'soberania'.

Ao ser indagado sobre como Leonel Brizola reagiria nessa situação, ele foi enfático.
"Pelas ideias e pela trajetória dele, sempre enfrentando desmandos, ele expressaria mais do que idignação. Certamente faria um grande movimento nacional em torno da reafirmação da nossa soberania. O Brasil não é quintal para um presidente de fora vir aqui dizer como a nossa Justiça deve funcionar", afirmou.
A primeira edição de 'No Fio da História' termina com a leitura da 'Carta de Niterói' pelo jornalista Beto Almeida.









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