Nos EUA, Flávio se junta a outros bolsonaristas foragidos da Justiça

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), depois de fugir do Brasil, desobedecendo a uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). O jatinho particular que levava o senador, a esposa e as duas filhas do casal pousou às 10h24, no horário de Brasília, no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida.
Ao descer do avião, Flávio Bolsonaro e a família foram escoltados por um policial, que cumprimentou o senador. Em seguida, entraram em um carro que os aguardava na saída do aeroporto. O destino da família não foi informado.
Com a fuga, o senador se junta a bolsonaristas que deixaram o Brasil para escapar da Justiça e se instalaram nos Estados Unidos. O irmão dele, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, vive na Flórida, onde está foragido desde que foi condenado por coação no curso do processo que levou à prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também estão no país o blogueiro Allan dos Santos, com prisão decretada pelo STF desde 2021, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, condenado na ação sobre a trama golpista. Flávio, por sua vez, não é considerado foragido, pois não há mandado de prisão contra o candidato derrotado, apenas investigações em andamento.
A chegada encerra uma fuga que começou na noite de terça-feira (27). Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50, e embarcou 40 minutos depois em um Gulfstream G400 operado pela empresa Baires Fly. O avião fez escala em Guayaquil, no Equador, e evitou o espaço aéreo brasileiro, sobrevoando o Paraguai, a Bolívia e o Peru. Ainda não se sabe quem é o proprietário da aeronave. Até a publicação deste texto, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado.
Aval de Trump
Na terça-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que vai conceder vistos ao senador e à família e permitir a entrada deles no país. Nesta quarta, horas antes do pouso, o presidente Donald Trump disse aprovar a ida de Flávio Bolsonaro e voltou a atacar, sem provas, a eleição brasileira. “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível”, afirmou. A decisão foi criticada por um comitê do Partido Democrata.
Ordem descumprida
A fuga ocorreu depois de Flávio Bolsonaro descumprir a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de deixar o país e determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF) até as 11h de terça-feira. Moraes também mandou cancelar todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos. Flávio Bolsonaro tem ainda um passaporte italiano, concedido em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que também deveria ter sido entregue.
A decisão foi tomada na noite de domingo, num processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, num suposto esquema que envolveria empresas do advogado e casas de apostas. Flávio Bolsonaro é investigado ainda pelo financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e o ministro Flávio Dino mandou a PF apurar suspeitas de financiamento estrangeiro na campanha dele. No pedido ao STF, a PF apontou riscos “concretos e atuais” de fuga, entre eles a recomendação pública de Eduardo Bolsonaro para que o irmão deixasse o país em caso de derrota.
Um dia antes de fugir, o senador negou em vídeo que pretendesse deixar o país. “A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte?”, disse. “Não vão me calar. Não vão me intimidar.”
‘Lamber botas’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo, classificou a fuga como “vergonhosa” e lembrou que, quando foi investigado na Operação Lava Jato, entregou o passaporte a pedido da Justiça. “Isso é uma falta de respeito com eleitores dele. Falta de respeito que ele teve com a democracia brasileira”, afirmou. “O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira pátria dele é lamber botas dos Estados Unidos.”
Com o Brasil de Fato










Comentários