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Novas mensagens de celular mostram militares tramando golpe


Tenente-coronel Mauro Cid, que está preso, e Jair Bolsonaro (Reprodução)

Na semana passada, vieram à tona mensagens no celular do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenente-coronel do Exército Mauro Cid, que evidenciaram a tentativa de golpe de Estado promovida pelo entorno do ex-presidente para mantê-lo no poder após a derrota nas urnas.


Nesta sexta-feira (16), novos documentos e mensagens foram publicadas pela revista Veja e mostram não só que a tentativa de golpe foi encorajada, como uma pressão feita por membros das Forças Armadas para convencer o ex-presidente de seguir com a ação, assim como a elaboração de um roteiro para tal.


A maioria das mensagens estimulando Cid a conversar com o ex-mandatário vieram do subchefe do Estado-Maior do Exército, coronel Jean Lawand Junior, durante dezembro do ano passado.


"Cid, pelo amor de Deus, o homem [Bolsonaro] tem que dar a ordem. Se a cúpula do EB [Exército Brasileiro] não está com ele, da divisão para baixo está. Assessore e dê-lhe coragem", dizia uma mensagem.


Em outra, Junior afirmava que Bolsonaro poderia ser preso, devido às constantes ameaças golpistas feitas pelo ex-presidente.


"Pelo amor de Deus, Cidão. Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, cara. Convence ele a fazer. Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso. O presidente vai ser preso. E, pior, na Papuda, cara."


O subchefe do Estado-Maior do Exército também escreveu que "de moto [sic] [modo] próprio o EB nada vai fazer porque será visto como golpe. Então, está nas mãos do PR [presidente]".

O coronel golpista Jean Lawand (Foto: Reprodução/Exército Brasileiro)

A Polícia Federal também encontrou um roteiro para o golpe de Estado com três páginas intitulado de "Forças Armadas como poder moderador".


O passo a passo seria Bolsonaro encaminhar um relato das inconstitucionalidades praticadas pelo Judiciário aos comandantes das Forças Armadas, que avaliariam os argumentos. Se concordassem, nomeariam um interventor investido de poderes absolutos. De início, ele fixaria um prazo para o "restabelecimento da ordem constitucional".


Na sequência, suspenderia decisões que considerasse inconstitucionais (a diplomação de Lula, por exemplo), afastaria preventivamente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski – que na época integravam também o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – convocaria os substitutos Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli - os dois primeiros foram indicados por Bolsonaro ao STF - e abriria inquéritos para investigar as condutas de cada um dos magistrados, marcando em seguida uma data para a realização da nova eleição presidencial, relata a mídia.


Entretanto, o documento não é o mesmo encontrado em fevereiro deste ano na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, que ficou conhecido como "minuta do golpe".


Mauro Cid, que está preso desde o começo de maio, foi autorizado quinta-feira (15) pelo ministro Alexandre de Moraes a prestar depoimento na CPI do Senado que investiga as invasões aos prédios dos três Poderes em Brasília, segundo a Agência Brasil.


Lula manda demitir coronel golpista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que o ministro da Defesa, José Mùcio, e o comando do Exército demitam o coronel Jean Lawand Júnior. Ele foi destacado pelo governo Lula para assumir a representação militar brasileira em Washington, nos Estados Unidos.


No início da tarde desta sexta-feira, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, segundo a Folha de São Paulo, comunicou ao presidente Lula a decisão de anular a nomeação do coronel Jean Lawand para a Representação Diplomática do Brasil nos EUA.


De acordo com a Folha de São Paulo, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que Lula foi "explícito" ao dizer que todos os mecanismos internos, militares e civis, terão apoio para "apurar responsabilidades na preparação" das invasões às sedes dos Poderes.


"Qualquer servidor federal, seja civil ou militar, que for provado envolvimento na preparação, no planejamento dos atos terroristas de 8 de janeiro, tem que ser punido e afastado de qualquer espaço de direção", disse Padilha, segundo a mídia, ao ser questionado sobre o caso dos militares.


Moraes retira sigilo de mensagens

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (16) retirar o sigilo de mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) no celular do tenente-coronel Mauro Cid. A medida foi tomada após a revista Veja publicar as conversas.


A PF também identificou que outro ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Luis Marcos dos Reis, frequentou o acampamento montado no ano passado em frente ao quartel do Exército em Brasília. Além disso, segundo as investigações, ele participou dos atos golpistas no dia 8 de janeiro.


"Os vídeos constantes em seu telefone celular comprovaram a participação de Luis Marcos dos Reis na tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito ocorrida no dia 8 de janeiro de 2023", concluiu o documento.


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