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Novo advogado de Mauro Cid diz que militar 'cumpriu ordens' do chefe


Mauro Cid com Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Ao assumir nesta quarta-feira (16) a defesa do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, o criminalista Cezar Bitencourt, novo advogado do tenente-coronel do Exército, já mudou o tom da defesa e destacou que ele é "um assessor que cumpre ordens" do chefe.


"Na verdade, ele é um militar, mas ele é um assessor. Assessor cumpre ordens do chefe. Assessor militar com muito mais razão. O civil pode até se desviar, mas o militar tem por formação essa obediência hierárquica. Então, alguém mandou, alguém determinou. Ele é só o assessor. Assessor faz o quê? Assessora, cumpre ordens", afirmou Bitencourt, que assumiu a defesa de Cid após o advogado anterior deixar o caso, no último domingo (13), alegando "quebra de confiança".


O advogado continuou declarando que "essa obediência hierárquica para um militar é muito séria e muito grave. Exatamente essa obediência a um superior militar é o que há de afastar a culpabilidade dele".


De acordo com o G1, Cezar Bitencourt disse que foi procurado por um familiar de Mauro Cid, mas não detalhou o contratante, acrescentando que não "sabe nada" sobre general Mauro Lourena Cid, pai de Cid, que também é investigado pela suposta venda ilegal de presentes oficiais.


O advogado também não descarta recorrer ao recurso de delação premiada na defesa do seu novo cliente: "Não está no meu radar, e nem do Mauro, que eu sei. Agora, se for necessário, guerra é guerra, né?", declarou Bitencourt segundo a revista Veja.


"Na verdade, não sou contra nada. A partir do momento em que eu entro na defesa, eu estou aberto para usar os institutos que nos favorecem, que favorecem o nosso cliente, a defesa. Enfim, eu sou crítico intelectual da delação premiada, mas não quer dizer que eu não possa usar esse instrumento. Fica em aberto, a gente tem a possibilidade, está aí à disposição de qualquer um", complementou.


Mauro Cid está preso desde maio, por envolvimento na suposta fraude em cartões de vacinação de Jair Bolsonaro para facilitar o embarque do ex-presidente para os Estados Unidos na véspera de terminar o mandato presidencial. No entanto, na semana passada, também foi alvo da operação da Polícia Federal que apura venda ilegal de presentes luxuosos recebidos por Bolsonaro.


'Asseclas de Bolsonaro'

De perfil progressista, de acordo com o UOL, o novo advogado do ex-assessor de Bolsonaro já criticou a prisão de Lula, disse que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e já chamou de "asseclas de Jair Bolsonaro" os invasores dos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro.


Prisão de Lula - Em 2016, Bitencourt afirmou que "Lula foi condenado sem provas" no caso do tríplex no Guarujá. Ele citou "documentos anotados à mão, com rasuras e sem assinatura do acusado ou de seus familiares". "Essa suposta prova não comprova a posse e tampouco a propriedade de imóvel algum", escreveu.


"Crime de responsabilidade" - No ano passado, Bitencourt se disse estarrecido sobre a concessão de perdão dada pelo ex-presidente Bolsonaro à condenação pelo STF do ex-deputado bolsonarista Daniel Silveira por ameaças ao STF e seus ministros. "Acordamos todos estarrecidos com a afronta do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal. Ontem ele [Bolsonaro] editou um decreto concedendo a graça (...) cometendo um crime de responsabilidade que afronta o Poder Judiciário. Mas não haverá pedido de impeacment. O centrão segura", disse ele, na ocasião. Este ano, o plenário do STF derrubou o decreto do ex-mandatário.


Invasão aos Três Poderes - Para Bitencourt, "a violência gerenalizada e antidemocrática" contra as sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro, foi "protagonizada por vândalos e asseclas irracionais de Jair Bolsonaro", e acrescentou ainda: "O resultado [eleitoral] é consequência da escolha livre, democrática e soberana da vontade da maioria dos brasileiros que optaram pelo candidato vencedor."

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