Novo diretor-geral da PF mexe em setor que investiga Bolsonaro


Delegado Marcio Nunes de Oliveira, novo diretor-geral da PF (Foto: Tom Costa: MJSP)

O novo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Márcio Nunes de Oliveira, irá mudar o comando da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dircor), departamento responsável pela investigação de políticos que estão no exercício do mandato, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bolsonaro é alvo de seis inquéritos em curso: cinco no Supremo Tribunal Federal (STF) e um no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um deles investiga a tentativa de interferir politicamente no trabalho da PF e em inquéritos para proteger parentes e aliados, conforme foi denunciada pelo ex-juiz Sergio Moro quando estava de saída do governo Bolsonaro.

O atual chefe da Dircor é o delegado Luís Flávio Zampronha, que ocupa o cargo desde abril do ano passado, quando Paulo Maiurino tomou posse como diretor-geral da PF. Um dos nomes cotados para assumir o posto é o do delegado Caio Rodrigo Pellim, lotado atualmente na Superintendência Regional do Ceará. De acordo com a Folha de S. Paulo, além da mudança na Dircor, também as chefias das diretorias e Inteligência, Técnico-Científica e Gestão e Pessoal deverão ser trocadas.

O número de prisões no âmbito dos inquéritos que apuram casos de corrupção desde o início do governo Bolsonaro caiu fortemente. Somente no ano passado, foram registradas 164 prisões nessa área, uma queda de 60% em relação às 411 efetuadas no ano anterior.

A área de combate à corrupção, segundo eles, é uma das que mais sofre reflexos da inconstância de comando. A queda no número de prisões, reduzidas no último ano ao nível mais baixo desde o governo golpista de Michel Temer, corrobora a tese, dizem os policiais.

Braço direito do amigo de Flávio

O delegado Márcio Nunes de Oliveira é braço direito do ministro da Justiça Anderson Torres, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Compete ao ministro da Justiça a nomeação do diretor-geral da PF.

Em novembro de 2020, Bolsonaro disse que acabou com a Lava Jato porque não haveria mais corrupção em seu governo. De lá para cá, pode-se citar ao menos três escândalos em que ninguém foi preso até agora: o do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), aliado de Bolsonaro, que se dizia "ficha limpa" e foi flagrado por policiais federais com maços de dinheiro desviado do orçamento escondidos na bunda; a denúncia de propina na compra de vacina indiana Covaxin ao preço de R$ 1,6 bilhão - o caso só virou inquérito após estourar na CPI da Covid; e o orçamento secreto, artifício criado no final de 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro para garantir apoio do Centrão no Congresso, que envolve cerca de R$ 20 bilhões,

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