Novo presidente da Petrobrás defendeu privatização como 'solução final'


(Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu de vez suas intenções de privatizar a Petrobrás ao nomear Adriano Pires como o novo presidente da empresa em substituição ao general Joaquim Silva e Luna, que ficou à frente da estatal por menos de um ano. Luna foi retirado da presidência após responder publicamente críticas feitas por Bolsonaro com relação a aumentos nos preços dos combustíveis.

Adriano Pires, que defende a dolarização do preço dos combustíveis, também defendeu a privatização da Petrobras em artigo escrito por ele e publicado no site Poder360 em outubro do ano passado. Ele deixou claro que não muda a política de preços, que faz disparar nas bombas dos postos.

O agora presidente da empresa escreveu que a "solução final para preços dos combustíveis é privatizar a Petrobras". O argumento é que "enquanto a empresa for de economia mista, tendo o Estado como controlador, os seus benefícios corporativos e as práticas monopolistas serão mantidos – a favor da corporação e, muitas das vezes, contra os interesses do Brasil".

Adriano Pires é especialista em energia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Recentemente, ele declarou que “a gente deveria torcer para o petróleo ir a US$ 200 porque o petróleo passou a ser uma grande fonte de arrecadação para o Brasil”. E, desprezando os efeitos nocivos que essa ideia pode causar ao povo brasileiro, acrescentou ainda: “Minha preocupação não é a gasolina a R$ 12 o litro, minha preocupação hoje é o desabastecimento. É o risco de se praticar um preço dentro do Brasil muito diferente daquele praticado lá fora”.

Lula: 'lobista'

Em encontro com pesquisadores e sindicalistas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) nesta terça-feira (29), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o pouco que leu de Adriano Pires, indica que ele é "lobista".

"Em dois trechos que li dele hoje é que ele é lobista. E que ele é muito mais ligado a empresas estrangeiras que as nossas. De que ele faz parte de um grupo seleto de personalidades brasileiras que não aceita o discurso que o petróleo é nosso. E essa gente que não sabe governar, em vez de ter criatividade para vender algo que não existe, eles querem vender o que tem. Vão vender o que tem e quando acabar a gente vê o que fazer", disse.

Lula lembrou que o golpe do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff foi dado para acabar com políticas sociais atreladas à estatal, como o regime de partilha e o fundo educacional, e criticou a política de gestão da Petrobrás, iniciada por Michel Temer e mantida por Bolsonaro, que distribui dividendos bilionários a acionistas, principalmente estrangeiros.

"O petroleo é nosso de verdade. Quando petróleo é nosso a gasolina é mais barata, o diesel é mais barato, o gas é mais barato. É preciso repartir esse lucro com quem é responsável por ela que é o povo brasileiro", disse, defendendo a soberania energética e a construção de novas refinarias, para que o Brasil seja "exportador de derivado de petróleo e não comprador de petróleo cru".

Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg