O céu e o inferno dos alvinegros cariocas


Foto: Agência Brasil

Por Edu Gomes


No último domingo (08), Botafogo e Vasco se enfrentaram pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, no histórico estádio de São Januário. Ambas as equipes entraram em campo com objetivos a serem alcançados, em caso de vitória na partida: enquanto o Botafogo buscava vencer para assumir a liderança isolada da competição e se aproximar do acesso à Série A, a equipe do Vasco da Gama precisava ganhar do rival para manter viva a esperança, mesmo que remota, de retornar à elite do futebol brasileiro em 2022.


Pois bem, mesmo jogando em casa, a partida foi um pesadelo para o torcedor vascaíno. Com gols de Marco Antônio (duas vezes), Rafael Navarro e Diego Gonçalves, o Botafogo goleou seu rival pelo placar de 4x0 e sacramentou a permanência do Vasco na Série B em 2022, fato que se repetirá pela quinta vez em sua história. É a primeira vez que o Vasco disputa a competição e não consegue o acesso para a Série A do Brasileirão. Nas outras oportunidades, em 2009 (quando foi campeão), em 2014 (quando ficou em 3º) e 2016 (também foi 3º colocado), havia conseguido retornar ao lugar que historicamente lhe pertence, que é a elite do futebol nacional.


Obviamente, quando analisamos a situação atual do Vasco, é válido destacar que não foi a derrota para o Botafogo que efetivou tal posição momentânea no clube, por mais que tenha sido dolorosa dada a situação atual. Todavia, tudo isso são efeitos das inúmeras direções com posicionamentos amadores que passaram pelo clube nas últimas décadas, que culminaram em quatro rebaixamentos desde 2008. Agora, a equipe disputará pela quinta vez a segunda divisão do Brasileiro. É muito pouco para um clube que na virada do século chegava em duas finais de mundiais de clubes, conquistava seu tetracampeonato brasileiro e vinha de um recente título da Libertadores da América, em 1998, conquista mais importante de sua história até hoje.


No outro lado, o Botafogo segue firme rumo ao acesso para a Série A do Brasileirão em 2022. Líder da competição, após ultrapassar o Coritiba com a vitória do último domingo, o alvinegro mudou de patamar desde a chegada do atual treinador Enderson Moreira, em meio a disputa da Série B. Porém, assim como o torcedor vascaíno não está satisfeito com o momento do clube, o botafoguense não deve se iludir com a atual fase, mesmo que venha confirmar o acesso com o título da competição. A equipe possui muitas limitações e já está mais que provado que ganhar a Série B, por si só, não é garantia de sucesso na Série A. A Chapecoense de 2021 é um exemplo claro desse fator, portanto, se faz necessário uma grande reformulação para se sonhar mais alto a partir de 2022 em General Severiano.


A verdade é que, tal como seu rival cruz-maltino, o Botafogo também convive a décadas com diretorias amadoras e administrações que só afundaram o clube em dívidas e problemas. A esperança atual por parte de sua torcida é a tão sonhada transformação do clube em "S.A", que ao meu ver, da forma que tem sido tocada até então, gera mais dúvidas do que possíveis soluções.

São três rebaixamentos desde 2002, tendo a equipe tido um leve melhor desempenho que o Vasco em suas tentativas de acesso para a Série A (foi vice-campeão em 2003, ocasião em que o campeão foi o Palmeiras; campeão em 2015 e agora lidera a competição em 2021). Mesmo assim, são também situações bem abaixo do que se espera de um clube com tanta tradição, bicampeão brasileiro e que já foi a casa de nomes consagrados da história do futebol brasileiro e mundial, como Mané Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Didi, Gérson, Paulo Cézar Caju, Quarentinha, Zagallo, Heleno de Freitas, entre muitos outros.


Pela 35ª rodada da competição, o Vasco entra em campo hoje em casa contra o Vitória. Já o Botafogo jogará amanhã em Campinas contra a Ponte Preta, precisando apenas de um empate para garantir matematicamente seu acesso para a Série A.


Porém, a verdade é que tanto Botafogo quanto Vasco, vivem momentos que vão do céu ao inferno em suas trajetórias nos últimos tempos. E, sem medo de errar, podemos afirmar que os momentos de inferno são dominantes, para desespero de seus torcedores. Que a organização em campo do time botafoguense atual sirva de exemplo para o clube se consolidar de vez na Série A a partir de 2022, tal como para os vascaínos terem em quem se inspirar na nova tentativa de retorno à elite que ocorrerá no ano que vem. Mas que fique claro que a mudança deve ocorrer, antes de tudo, fora de campo. Sem administrações e direções coerentes com a realidade dos clubes e que idealizem um futuro a longo prazo sustentável, se aproximando das apaixonadas torcidas que continuam fiéis apesar de tudo, uma perspectiva de mudança se tornará cada vez mais difícil, infelizmente...

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